Homenagem às vítimas de acidente da TAM reúne 2 mil pessoas

Tímidos gritos de "Fora Lula" foram aumentando ao longo da caminhada

Michelly Teixeira, Agência Estado

29 de julho de 2007 | 11h54

"Gritos de fora Lula" marcaram a  manifestação com cerca de duas mil pessoas na zona sul de São Paulo. Os manifestantes se reuniram para protestar contra o caos aéreo e homenagear as vítimas do acidente com o Airbus A-320 da TAM, que provocou a morte de 199 pessoas no último dia 17, no aeroporto de Congonhas. Os manifestantes carregam ramalhetes de flores e portam cartazes que pedem respeito à vida e aos direitos dos cidadãos. Também há cartazes com fotos de algumas vítimas do acidente, portadas por familiares. Os participantes do ato se concentraram no Parque do Ibirapuera, no espaço entre o Monumento às Bandeiras e o Obelisco e se dirigem a Congonhas, onde pretendem realizar um ato ecumênico no local mais próximo possível ao prédio da TAM Express, contra o qual se chocou o Airbus A-320, que fazia o vôo JJ 3054, procedente de Porto Alegre. O movimento é organizado por pelo menos oito entidades, entre os quais o Cria Brasil (Cidadão Responsável, Informado e Atuante). O líder do Cria Brasil, Marcio Neubauer, disse que o principal objetivo do protesto é  mobilizar a sociedade pela defesa de seus direitos. "A sociedade está carente de respeito. É muito importante saber que o povo brasileiro de mobiliza", afirmou, referindo-se à presença das pessoas, apesar do frio e da chuva que caiu no início da manhã deste domingo. "Esta é uma centelha, é um começo", avaliou. Inicialmente tímidos, os gritos de "Fora Lula" foram aumentando ao longo da caminhada, como palavra de ordem dos participantes, ao final dos discursos que eram feitos no caminhão de som que encabeçava a manifestação. Nas proximidades do Detran, um dos oradores, anunciado como parente de uma das vítimas do acidente, disse que exigiria responsabilidade por parte das autoridades do País, "sem corrupção, sem mensalão". "Espero que a dor sirva de energia e motivação para que as pessoas cobrem seus direitos e lutem pelo fim do descaso.", acrescentou. Além de protestarem contra o caos aéreos, os participantes do ato saudaram o Corpo de Bombeiros e os funcionários do Instituto Médico Legal (IML) pelo trabalho de resgate e identificação dos corpos das vítimas. Um grupo de manifestantes também distribuiu folhetos exigindo "o fechamento definitivo e imediato do aeroporto de Congonhas" e defendendo que seja implantado um parque no local.   Vaias a TAM   Sob uma fina garoa e ao som dos aviões que aterrissavam no aeroporto de Congonhas, os manifestantes encerraram a  passeata que começou às 9h40 no Ibirapuera. Muito comovidos, arremessaram flores brancas na direção do prédio da TAM Express.   Segundo Neubauer, esta foi a primeira fez que a Defesa Civil autorizou a aproximação ao local do acidente. Depois de fazerem um longo período de silêncio, os participantes rezaram o Pai Nosso.   Depois, bastante emocionados, os manifestantes cantaram o Hino Nacional e deram uma salva palmas ao bombeiros, "verdadeiros e uns dos poucos heróis do país", conforme expressou Neubauer. Durante o ato, três aeronaves passaram sobre local. Uma delas era da TAM e provocou gritos e vaias dos presentes.  Texto atualizado às 13h53

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