Homenagem à Rota termina em tumulto

Ativistas ligados à defesa dos Direitos Humanos protestaram na Câmara contra a concessão de 'Salva de Prata' aos PMs

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2013 | 02h06

Após paralisar as votações na Câmara Municipal de São Paulo por três semanas e levar claque da PM para pressionar parlamentares, a "bancada da bala", formada pelos vereadores e ex-PMs Coronel Telhada (PSDB), Conte Lopes (PTB) e Coronel Camilo (PSD), conseguiu nesta quarta-feira, 4, apoio de 37 dos 55 vereadores paulistanos para aprovar a concessão de uma "Salva de Prata" às Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). Os 15 votos contrários foram da bancada do PT e dos vereadores Orlando Silva (PCdoB), Gilberto Natalini (PV) e Toninho Vespoli (PSOL).

Na quarta tentativa de aprovar a homenagem, houve confusão no plenário do Palácio Anchieta, com confronto entre PMs e ativistas de entidades de Direitos Humanos. Cinco manifestantes que tentavam impedir a fala de Telhada, autor da proposta de homenagem, foram expulsos do plenário pelo presidente José Américo (PT). Policiais chegaram a arrastar um dos ativistas para fora das arquibancadas.

O grupo de manifestantes, com cerca de 40 estudantes da Universidade de São Paulo (USP), viu duas horas de embates antes de o projeto ser aprovado. Eles dividiram as arquibancadas da Câmara com cerca de 60 coronéis aposentados, PMs e familiares de policiais. Associações de policiais pensionistas também engrossavam o coro dos favoráveis à homenagem. O alvo principal da plateia pró-Rota era o vereador e ex-ministro dos Esportes Orlando Silva (PCdoB), que pedia voto contrário à homenagem.

Natural de Salvador, Silva foi questionado por não ter nascido na cidade. "Você nem de São Paulo é, o que você sabe da Rota para vir falar mal aqui?", criticou Telhada. A "bancada da bala" conseguiu apoio do PTB, do PP, do PMDB, do PSD e de parte do PV para aprovar a proposta. A pressão dos ex-comandantes da PM sobre os colegas se acentuou nos últimos dias. "Nós vamos decidir hoje (ontem) aqui quem é a favor da polícia e quem é a favor do crime", discursou Telhada, que na segunda-feira convocou PMs e familiares a comparecerem à Câmara para pressionar vereadores.

Na semana passada, o ex-comandante da Rota já havia levado dois oficiais da corporação para conhecer o presidente José Américo (PT) no plenário. Ele estava furioso com alguns colegas que não tinham coragem de votar a favor do projeto por causa do pedido de verificação nominal feito pelo PSOL. "Teve vereador com a cara de pau de vir falar que não pode votar no projeto porque conhece muito bandido", disse Telhada, em referência ao vereador Dalton Silvano (PV), que era a favor da "Salva de Prata", mas argumentou que poderia desagradar conhecidos.

Acusada por lideranças de ONGs que atuam na defesa dos Direitos Humanos pelas mortes de inocentes nas periferias paulistanas, a Rota será homenageada com sessão solene e coquetel no Legislativo. Nas outras três tentativas o projeto ficou pendente de votação.

Medalha. Ontem, logo após a votação da homenagem à Rota, a pauta prosseguiu com outras votações de homenagens. Por pouco os vereadores não aprovaram a concessão de "Medalha Anchieta" ao ex-tenente do Batalhão de Choque Dimas Mecca, um dos policiais denunciados pelo Ministério Público Estadual por participação na Operação Castelinho, ação da PM que resultou na morte de 12 suspeitos de integrarem o PCC, em 2002, em Sorocaba.

O projeto acabou pendente de votação ao ter 15 votos contrários e 12 favoráveis.

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