FELIPE RAU/ESTADÃO
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Justiça decreta prisão temporária de filho acusado de matar o pai na zona sul de SP

Homem ficará preso temporariamente enquanto é averiguada a hipótese de que ele é portador de doença mental. Depois do crime, ele fugiu e foi encontrado pela Polícia Militar

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2018 | 09h54
Atualizado 06 Agosto 2018 | 19h24

SÃO PAULO - A Justiça decretou nesta segunda-feira, 6, a prisão do comerciante Ricardo Antônio Novaes Carmona, de 42 anos, suspeito de matar o pai, o empresário Oswaldo Carmona, de 78, na Vila Nova Conceição, bairro nobre da zona sul de São Paulo. Na delegacia, ele teria confessado o crime, relatado histórico com drogas e que fazia uso de remédio para esquizofrenia. Também disse ter ouvido “vozes muito fortes” pedindo que matasse o idoso.

Por enquanto, o suspeito ficará 30 dias presos temporariamente. A Polícia Civil solicitou exame para aferir a capacidade mental de Ricardo para confirmar se ele agiu por causa de transtorno. Caso a hipótese se confirme, o comerciante pode até ser considerado inimputável pela investigação: ou seja, incapaz de responder por seus atos. Assim, caberá ao juiz decidir se há necessidade de internação – e não mais se ele deve ou não ser mantido preso.

“Até o momento, o que se demonstra é que ele tem transtorno psiquiátrico que pode ser decorrente do uso de droga”, disse o delegado Fábio Pinheiro Lopes, titular do 15.º Distrito Policial (Itaim-Bibi), responsável pela investigação. “Para a Justiça, o que é importante é saber se ele era ou não inimputável.”

Investigação

Ricardo era solteiro e morava com os pais no 10.º andar de um prédio na Praça Pereira Coutinho. Na noite de sábado, 4, estavam só ele e o idoso no apartamento. Por volta das 21h30, ele teria ouvido vozes dizendo para matar o pai, foi até a cozinha e apanhou uma faca, conforme depôs no 14.º Distrito Policial (Pinheiros). Nessa hora, Oswaldo assistia à televisão.

Na sala, Ricardo tentou golpear o pai, que resistiu. Os dois chegaram a entrar em luta corporal, mas a vítima acabou atingida na região da face e do tórax, segundo boletim de ocorrência. O comerciante, então, jogou a faca sobre o sofá, pegou a chave do carro, um Chevrolet Cruze, e fugiu.

Foi o porteiro do edifício que alertou a família. Em depoimento, ele afirmou saber que Ricardo tinha transtorno mental e que não era comum ele sair dirigindo. Ao chegar no local, familiares encontraram marcas de sangue na sala e o corpo de Oswaldo caído.

Aos policiais, Ricardo contou que dirigiu para um motel na Rodovia Anchieta, onde dormiu sozinho até as 5 horas de domingo, 5. De lá, saiu para outro motel na mesma rodovia. Ele não soube informar o nome dos estabelecimentos.

Por volta das 8 horas, dirigiu por cerca de 60 quilômetros até Mongaguá, no litoral, e ficou rodando pela cidade. Só à noite, voltou para capital. Segundo investigadores, o suspeito contou que planejava ir para um campo soçaite no Morumbi, também na zona sul, onde costumava jogar futebol, mas foi pego antes pela Polícia Militar na região de Pinheiros, na zona oeste.

Após o crime, a polícia havia emitido uma alerta com a placa do veículo – o que permitiu localizar o suspeito. Por volta das 22h40,  Ricardo teria tentado furar um bloqueio, mas depois desistiu da fuga, de acordo com a PM. Aos agentes, ele teria confessado o assassinato.

No 14.º DP, o comerciante alegou problemas psiquiátricos e relatou usar quatro remédios diferentes. Também disse ter sido usuário de maconha e de cocaína, mas que estava sem consumir droga há cerca de três anos.

O pai era sócio de ao menos dez empresas que atuam com comércio de produtos como madeira, vidro e ferragens na região do Brás, na região central, e na zona oeste. Também tinha atuação na área de administração de imóveis. Algumas das empresas contavam com a participação, em sociedade, da mulher e de um filho.

“É com enorme e profundo pesar que a família comunica a morte do empresário Oswaldo Carmona, de 78 anos, vítima de homicídio na noite deste sábado, em São Paulo”, afirmou a família, em nota. “A polícia está investigando as circunstâncias do episódio. Neste momento de tanta dor por perda irreparável, pedimos aos amigos e à imprensa que compreendam e respeitem o silêncio dos familiares.”

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