Leonardo Soares/AE
Leonardo Soares/AE

Homem surta e esfaqueia 2 na Paulista

Vítimas estavam em ponto de ônibus na frente do Trianon e foram atacadas por morador de rua alcoolizado que se dizia perseguido

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2011 | 00h00

Um morador de rua, aparentemente em surto e sob efeito de bebida alcoólica, esfaqueou ontem duas pessoas na frente do Parque Trianon, na Avenida Paulista, por volta das 16h40. Os dois, uma mulher e um homem, estavam parados em um ponto de ônibus. O agressor - que já tem passagem pela polícia - tentou fugir, mas foi preso em flagrante pela Polícia Militar.

As duas vítimas não se conheciam e estavam paradas no ponto de ônibus. O homem, identificado pela polícia apenas como Antonio, foi levado por policiais em estado grave para o Hospital das Clínicas, perto dali, onde foi submetido a uma cirurgia. Ele foi ferido no tórax e no braço esquerdo, e perdeu muito sangue. Deu entrada no HC como desconhecido e, até a noite de ontem, não havia mais detalhes sobre seu estado de saúde nem sobre sua identidade.

A mulher, Lina Gomes Ferreira, de 38 anos, foi socorrida por um taxista e encaminhada para o Hospital São Paulo. O ferimento foi suturado e ela passava bem ontem. Segundo a polícia, Lina foi o primeiro alvo do agressor, o desempregado José Francisco da Silva, de 53 anos. Silva, armado com uma faca de churrasco com cerca de 20 centímetros, já rondava havia alguns minutos o ponto de ônibus na Paulista. Sem explicações, partiu para cima de Lina, que trabalha em um restaurante na região, e a golpeou com a faca. O homem teria ido com foco certo na mulher, segundo testemunhas.

Lina tentou proteger-se, mas foi atingida nos lábios, no nariz e no braço. Ao tentar salvá-la, Antonio partiu para cima de Silva e, na luta com ele, também foi esfaqueado. Depois de um breve confronto, Antonio conseguiu se esquivar e os dois correram, cada um para um lado.

Foi Lina quem, mesmo ferida, conseguiu avisar a Polícia Militar. Os policiais correram atrás de Silva pela Avenida Paulista e conseguiram prendê-lo na esquina com a Rua Peixoto Gomide, a um quarteirão do ataque e já do lado da calçada do Masp.

O soldado Edson Moreira conta que ele não reagiu à prisão. "Na hora eu gritei "polícia" e ele já se jogou no chão. Dizia que estava sendo perseguido, que só tentou se defender. Parecia que estava em surto", disse ele, que atuava na região na Operação Delegada - parceria do Estado com a Prefeitura em que PMs trabalham durante a folga no combate ao comércio ilegal. "Algumas pessoas disseram que já haviam visto ele por ali, que era um morador de rua conhecido na região. Ele atacaria mais pessoas se não fosse preso."

O homem, segundo a Polícia Militar e uma testemunha que compareceu ao 78.º DP, nos Jardins, estaria visivelmente bêbado. Na hora da prisão, disse ainda que havia usado drogas - no depoimento essa informação não foi confirmada.

Insanidade. Silva foi levado ao 78.º DP, onde foi autuado por tentativa de homicídio. Na delegacia, ele confirmou a história segundo a qual se sentia perseguido havia alguns dias e disse que o casal o teria agredido naquele momento. As facadas seriam apenas uma defesa.

Segundo o delegado Rogério de Camargo Nader, Silva já andava com a faca havia alguns dias. Ele teria confeccionado uma bainha de papel e deixava a faca guardada na calça.

"Aparentemente, ele tem transtorno mental e não demonstra muita coerência ao falar. Ele vai fazer exame de insanidade", disse o delegado. "Aqui na delegacia Silva já se expressou bem, parecia em melhores condições."

Nascido em Pernambuco, na cidade de Aliança, Silva tem passagem na polícia por estelionato, crime praticado em Pirituba, zona norte. O delegado, no entanto, não soube informar se ele cumpriu pena. Silva conta ser pai de sete filhos e não ter endereço fixo. Estaria desempregado há quatro anos, morando na rua, e ganhava algum dinheiro como flanelinha na região.

PARA LEMBRAR

Designer foi golpeado com taco em livraria

Em dezembro de 2009, o designer Henrique de Carvalho Pereira, de 22 anos, fazia uma pesquisa na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. Agachado, ele foi golpeado na cabeça com um taco de beisebol pelo personal trainer Alessandre Aleixo, de 38 anos. Henrique morreu de falência múltipla dos órgãos após dez meses em coma. Portador de esquizofrenia paranoide, o agressor foi mandado para um manicômio judiciário. Segundo decisão da 1.ª Vara do Júri de São Paulo, ele é "inimputável" e não pode ser responsabilizado pelo crime.   

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"Não quero mais passear pela Paulista, não quero ser esfaqueada"

Maytê Souza, @sccp_mayte

"Não se tem paz mais nem na Avenida Paulista"

Thais Marinho, @tata_marinho

"Já, já, ninguém vai mais sair nas ruas"  

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