Homem sequestra mulher após filha do casal denunciar agressões

Adolescente, que estava escondida na casa da irmã, afirmou que foi coagida pelo pai a gravar vídeo em que diz que 'tudo estava bem'

Luiz Alexandre Souza Ventura, Especial para o Estado

12 de junho de 2017 | 12h59
Atualizado 12 de junho de 2017 | 15h59

SANTOS - Pai de uma adolescente de 17 anos, acusado pela própria filha de agressão e abuso, Joselito Oliveira Rocha, de 40 anos, é procurado pela polícia desde a última sexta-feira, 9, quando sequestrou Maria José de Souza Franklin (mãe de sua filha), de 44, e desapareceu.

O caso ganhou repercussão a partir da fuga da adolescente na semana passada em Santos, no litoral sul de São Paulo. G. R. sumiu na segunda-feira, 5, após ser deixada pela mãe na porta do Colégio Ramos Lopes, no bairro do Gonzaga, e foi encontrada na sexta-feira em Mongaguá, também no litoral paulista, na casa da irmã, Erika Cristina Carballo de Oliveira, de 23 anos.

Guarda

Em 2001, Rocha e Maria José perderam a guarda de Erika após denúncias de que ele agredia a menina, sua enteada. A garota de 6 anos foi colocada para adoção. As irmãs, que nunca haviam se falado, encontraram-se recentemente por meio das redes sociais. G. R. passou a relatar os abusos que sofria e decidiu fugir.

No período em que permaneceu escondida, a adolescente manteve contato com alguns colegas da escola, que contaram os detalhes para a diretora Daniela Ventura Cabral de Abreu.

"Eu consegui falar com ela e passar a segurança de que poderíamos ajudá-la. Após a fuga, muitos alunos vieram contar que ela relatava as agressões há algum tempo", disse a diretora.

As irmãs foram juntas ao Conselho Tutelar de Mongaguá, que, surpreendendo a todos, devolveu a adolescente aos pais. Questionada pela reportagem sobre a atitude, uma representante do conselho, que se identificou como Adriana, disse que nada foi encontrado no histórico para impedir a entrega da menina a Rocha e Maria José, apesar dos registros de agressão feitos 16 anos atrás, de a adolescente deixar claro que não queria voltar para casa e do fato de ela ter 17 anos e poder escolher onde ficar.

Casa dos pais

De volta a Santos, a menina G. R afirmou ter sido coagida pelo pai a gravar um vídeo no qual afirmou que "tudo estava bem" e também a prestar queixa contra todos que a ajudaram.

Na sexta-feira, ela foi à delegacia denunciar o pai, acompanhada pela irmã, a diretora da escola, pelo conselheiro tutelar de Santos, Mauricio Bezouro Carvalho, e por amigos.

Ao tomar ciência da nova acusação, Rocha sequestrou Maria José e desapareceu.

O caso foi registrado como ameaça, por causa das acusações contra o pai, denunciação caluniosa e constrangimento ilegal, por ela ter sido coagida a fazer um boletim com informações falsas.

O conselheiro tutelar solicitou medida protetiva para que G. R não volte para casa. Ela está sob responsabilidade do conselho até que a Vara da Infância e Juventude determine seu destino.

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