Alexandre Souza/Folha da Região
Alexandre Souza/Folha da Região

Homem sequestra a ex por 21h e acaba baleado

''Ele vai matar minha mãe'', disse a filha do casal, após tentar ajudar na negociação; ex-guarda municipal tentava vingar suposta traição

Chico Siqueira, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2010 | 00h00

Depois de 21 horas de negociações, e de contar até com a ajuda da filha de 14 anos, o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) encerrou às 8h30 de ontem o sequestro da auxiliar odontológica Márcia Westpal Mello, de 41 anos, pelo ex-marido, Moacir Gonçalves de Oliveira, de 45. Chamada pelos policiais, Aniele, após conversar com o pai, ficou inconsolável. "Ele vai matar minha mãe", dizia. O Gate invadiu o local e baleou Oliveira.

O ex-marido levou um tiro acima do olho direito e seguia internado até a noite, após manter a ex-mulher refém desde as 11 horas de quarta-feira, quando invadiu o consultório onde ela trabalhava em Araçatuba, interior paulista. Armado com um revólver e duas garrafas pet com gasolina, ele ameaçava matar a ex-mulher e atear fogo no consultório.

Ex-guarda municipal, Oliveira queria que Márcia, com quem ficou casado por 16 anos, revelasse o nome de um suposto amante. Márcia sempre negou outra relação, mas isso não foi suficiente para que o ex-marido deixasse de colocar em prática as ameaças pelas quais a Justiça já o impedira anteriormente de chegar a menos de 200 metros dela.

Em inquérito aberto pela polícia, a determinação de Moacir em punir a ex-mulher por uma suposta traição é descrita até pelo irmão do ex-guarda municipal. Marcelo Gonçalves disse que há dois meses seu irmão havia comprado uma arma que serviria para matar a ex-mulher.

Essa determinação de Oliveira, aliás, venceu os negociadores do Gate, que chegaram a Araçatuba por volta das 17 horas de quarta-feira. Durante todo o dia, parentes, amigos e até a filha do casal tentaram convencê-lo a se entregar, sem sucesso. Oliveira ficou ainda mais nervoso quando recebeu o telefonema da filha. "Ela (Aniele) ligou para o pai para que ele também falasse sobre a situação, mas estava muito nervoso", contou Olinda Westpal, de 61 anos, mãe de Márcia.

No começo da madrugada de quinta, a situação ficou mais tensa. Depois de Moacir despejar por duas vezes gasolina na sala e se recusar a entregar a arma e a gasolina, um atirador do Gate atirou na cabeça dele. Ao mesmo tempo, outros policiais arrombaram a porta, invadiram o consultório e retiraram Márcia, ilesa.

OUTROS CASOS

15/03/1990

A professora Adriana Caringi, de 23 anos, foi morta por um atirador de elite da PM, que a baleou durante a negociação com dois ladrões. Ela foi atingida quando estava na janela

17/10/2008

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