Homem se mata após seqüestrar e assassinar ex-namorada

Antes de matar Evellyn Ferreira Amorim, com um tiro na cabeça, o rapaz a manteve refém por quase 12 horas

Rejane Lima, do Estadão,

19 de novembro de 2007 | 18h14

O motoboy desempregado Gilmar Leandro da Silva Filho, de 23 anos, matou a ex-noiva Evellyn Ferreira Amorim, de 18 anos, e se suicidou em seguida após mantê-la como refém durante doze horas em Praia Grande, na Baixada Santista. Silva estava armado com um revólver com projéteis calibre 38. Ele atirou na cabeça de Evellyn e depois contra a própria cabeça. Os dois foram retirados com vida da drogaria Nova Farma, mas morreram na tarde desta segunda-feira na Santa Casa de Praia Grande. Essa foi a segunda vez que Silva ameaçou a vida da ex-namorada. Inconformado com o término do relacionamento de cinco anos, o motoboy já havia feito Evellyn como refém durante cinco horas no dia 13 de junho, na residência da vítima, na Vila Mirim. Na ocasião, ele se entregou à polícia e foi indiciado por cárcere privado e porte ilegal de arma. Silva ficou preso durante três meses e conseguiu liberdade provisória. O desfecho do caso de amor que terminou em tragédia começou a meia-noite de domingo, horário em que a caixa e o balconista Almir Antonio Guimarães, de 42 anos, preparavam-se para fechar o estabelecimento. De acordo com Guimarães, um casal de clientes estava na farmácia quando Silva entrou, dizendo que havia ido lá para ajudá-los a fechar a drogaria. "Eu escutei o barulho da algema que ele estava segurando e falei para os clientes saírem tranquilamente e mandando eles deixarem o dinheiro depois", explicou Guimarães, que foi libertado apenas às 5 horas da madrugada. Segundo o balconista, Silva chegou um pouco alcoolizado, segurando duas latinhas de cerveja, o motoboy parecia calmo mas mostrava-se decidido a se matar. "Ele deixou ela (Evellyn) fazer tudo que precisava, fechar o caixa, e depois algemou a mão esquerda dele à direita dela e me disse: `não precisa se preocupar, não vai acontecer nada contigo, nada com ela, só eu que vou sair daqui direto para o cemitério'". Por volta da 0h20, o motoboy atirou contra a parede, para assustar os reféns. "Ela estava tentando discutir com ele, daí ele começou a apontar a arma para mim e para ela e disse que não estava de brincadeira", conta Guimarães. De acordo com ele, Silva mostrava-se ciumento e disse que a jovem havia prometido reatar o relacionamento e que havia, inclusive, lhe feito visitas íntimas no periodo que ele permaneceu preso. "Ele falou que tinha visto o orkut dela e começou a brigar, daí ela disse que nem tinha mais orkut e entrou na internet para mostrar a ele". A polícia chegou a frente da farmácia por volta das 2 horas da manhã, após ser avisada pela esposa do balconista que havia telefonado para a drogaria duas vezes e desconfiado da justificativa dada por Guimarães para explicar a demora em deixar o trabalho. A negociação com o seqüestrador foi feita pela equipe do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil através de um aparelho nextel da própria farmácia. Um pouco antes do meio-dia, o indiciado avisou que iria se entregarem dez minutos e foi orientado a jogar os projéteis por debaixo da porta e em seguida o revólver. No entanto, cerca de dois minutos depois, foram ouvidos dois tiros. A polícia ainda tentou contatar Silva pelo rádio e como não conseguiu, invadiu a farmácia. De acordo com o supervisor de serviço da ambulância que atendeu o casal, Alexandre Teixeira, o corpo de Evellin estava sobre o do ex-noivo. Os dois foram retirados ainda com vida. A jovem faleceu às 14h20 e o rapaz às 17h40. O romance O romance entre os jovens começou quando a moça tinha apenas 13 anos. De acordo com o que a reportagem do Estado apurou com amigos das duas famílias, a relação entre eles aparentemente tranqüila e a moça havia terminado o relacionamento pouco antes de junho, sem nenhum motivo específico. "Pelo que sei não teve um motivo assim para terminar, foi um termino normal. Ele era um pouco ciumento, mas nada doentio", disse um amigo da família que não quis se identificar.   O pedreiro Edson Marques, de 40 anos, padastro de Silva, disse que o enteado não era violento, mas que ficou muito abalado com o término do namoro. "Raiva ele não tinha, ele tinha uma esperança", afirmou. De acordo com Marques, Silva não falava com a família sobre os seus sentimentos e a ex-noiva. "Ele não falava nada, não chorava, nada. Ficava quieto, só assistindo televisão".     A vendedora Evelin Dias, de 23 anos, tia da jovem com o mesmo nome, disse que os comentários era de que ele era ciumento, mas que conhecia pouco a Silva. Segundo ela, a sobrinha não arrumou mais nenhum namorado desde o final do tumultuado relacionamento.   Colega de Evellyn no trabalho, a caixa Rosemeire Silva dos Santos, de 26 anos, afirmou que soube apenas no último sábado que Silva estava solto novamente. "Ela falava pouco sobre isso, mas comentou que ele estava havia saído da cadeia". Segundo Rosemeire, a colega que trabalhava na drogaria há um ano era uma moça calma, estava solteira e não demostrava ter medo do ex-noivo.

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