Homem salva 3 e morre afogado com estudante

Os dois foram arrastados pela enxurrada na zona sul durante a chuva da noite de sábado; outras 3 pessoas ficaram feridas

ARTUR RODRIGUES, TIAGO DANTAS, O Estado de S.Paulo

11 Março 2013 | 02h03

O eletricista Marcelo Furlan, de 36 anos, foi morto pela enxurrada no Ipiranga, zona sul de São Paulo, anteontem à noite. A primeira vítima da chuva do ano na cidade perdeu a vida porque decidiu salvar pessoas que eram levadas pela água em frente à casa dele. Com o irmão mais novo, Furlan conseguiu retirar três pessoas da correnteza, mas acabou arrastado pelas águas quando foi resgatar a estudante Bruna Beatriz Costa Santos, de 14 anos, que também morreu.

As duas vítimas foram levadas para debaixo de um Celta e um Peugeot, estacionados na Rua Vergueiro, e morreram afogadas. "Ele estava na casa dele, ouviu alguém pedir socorro e saiu", conta a enfermeira Edilene da Costa, de 42 anos, irmã de criação de Furlan, que mora na mesma casa que ele. "A água estava muito alta, cobria uma pessoa. O irmão do Marcelo (Furlan), o Jeferson, quebrou o braço", afirma a enfermeira.

Ela relata que a mãe e a mulher do eletricista, que também chegou a ser levada pela enxurrada, presenciaram a morte dele. Apesar de não ser comum enchentes naquela altura da Rua Vergueiro, Edilene explica que um bueiro entupido e muito lixo acumulado provocaram o problema.

Furlan tinha dois filhos, um de 7 e outro de 2 anos. Ele estava sendo velado na tarde de ontem no Cemitério São Pedro, na Vila Alpina, zona leste. O enterro estava marcado para a manhã de hoje, às 8h. A estudante Bruna, que morava perto do local onde tudo aconteceu, foi enterrada no Cemitério Vale da Paz, em Diadema, na Grande São Paulo.

Temporal. A chuva de sábado durou quase cinco horas. Na média, choveu cerca de um terço do que é esperado para todo o mês de março, de acordo com informações do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura.

Houve queda de granizo no Parque Novo Mundo, zona norte da capital. Na zona sul, rajadas de vento atingiram 46 km/h por volta das 19h na região do Aeroporto de Congonhas, ainda segundo o CGE. O aeroporto teve de ser fechado para pousos e decolagens entre 18h50 e 19h35, segundo a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).

O Rio Tamanduateí transbordou próximo ao cruzamento da Avenida do Estado com a Rua Brigadeiro Jordão, no Ipiranga, na zona sul, às 20h15. Outros córregos transbordaram em Perus e na Lapa, zona oeste.

Carros foram arrastados pela chuva, pelo menos 20 árvores caíram e 188 semáforos apresentaram defeito, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). A queda de galhos sobre a fiação elétrica ainda deixou alguns bairros sem luz.

Ao todo, foram contabilizados 43 pontos de alagamento - em mais da metade deles, 27, era impossível passar de carro.

A zona oeste foi a região com mais inundações, de acordo com o CGE. Entre 19h30 e 19h50, era impossível passar no cruzamento das Avenidas Francisco Matarazzo e Pompeia. Perto dali, a Rua Venâncio Aires virou um rio. A pista sentido zona sul do túnel Anhangabaú, no centro, foi fechada devido a um alagamento na Praça da Bandeira.

Previsão. Ontem, houve pancadas de chuva rápidas em alguns bairros da capital, mas a previsão dos meteorologistas é que a cidade volte a ser castigada a partir do meio da semana.

Entre hoje e amanhã, os meteorologistas preveem pancadas de chuva fortes no fim da tarde, provocadas pelo calor intenso e a formação de umidade.

A situação piora a partir de quarta-feira. "A cidade deve sentir a chegada de uma frente fria, prevista para quinta-feira. Isso deve deixar o tempo instável e provocar chuvas mais fortes", afirma o meteorologista Thomaz Garcia, do CGE. / COLABOROU BRUNO RIBEIRO

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