Homem queria se vingar de hospital onde mãe ficou internada

Técnico em informática de 42 anos rendeu auxiliar de enfermagem com duas facas na mão

José Dacauaziliquá, do Jornal da Tarde,

20 de agosto de 2007 | 18h43

Com a mão direita, o técnico de informática Marcelino do Amparo de Carvalho, 47 anos, empurrou para frente o auxiliar de enfermagem Luciano Luís Martins, 27. Com a esquerda, estendida a um policial, Carvalho entregou a faca. Terminou assim, na tarde desta segunda-feira, no Hospital Santa Catarina, região da Avenida Paulista, o protesto do técnico de informática contra a morte de sua mãe, Maria Thereza Valentim.   De novembro a abril, Maria Thereza esteve internada no Hospital Santa Catarina. Tinha câncer nos pulmões. Recebeu alta depois dos cinco meses de internação. Mas morreu no último dia 10 aos 69 anos. E Carvalho culpava os funcionários do Santa Catarina pela morte.   A confusão começou às 12h30. Martins chegava ao trabalho com um colega. Os dois pretendiam entrar pela portaria traseira do hospital, na Rua Cincinato Braga, na Bela Vista. Os passos de Martins, no entanto, eram vigiados por Carvalho. No momento certo, o técnico em informática o atacou. O amigo conseguiu escapar, mas o auxiliar de enfermagem foi dominado no espaço que separa a entrada do hospital da saída do estacionamento.   Os seguranças avisaram a polícia. O cabo Anderson Oliveira Silva, do 11.º Batalhão, deu início à negociação. "Ele (Carvalho) estava muito transtornado e xingava muito o refém", disse o PM. De acordo com o diretor executivo do Santa Catarina, Fábio Tadeu Teixeira, Martins fez parte de uma das nove equipes que cuidaram Maria Thereza durante sua internação.   A negociação foi tensa. "Ele (Carvalho) pressionava muito a faca contra o pescoço da vítima e fez ameaças de mortes, alegando que o enfermeiro tinha culpa na morte de sua mãe", disse o PM. Segundo o diretor executivo, Carvalho havia feito reclamações na época em que a mãe esteve internada. "Mas as reclamações dizem respeito somente à alimentação ao tipo de dieta."   Depois de receber alta médica, Maria Thereza foi para casa. Meses depois, ela foi internada no Hospital Nove de Julho, onde morreu no último dia 10, segundo consta em sua certidão de óbito de: falência múltipla de órgãos, tumor pulmonar, diabetes e insuficiência renal.   O técnico em informática atribuiu a morte da mãe ao tratamento recebido no Hospital Santa Catarina. E decidiu se vingar. "A única exigência dele para se entregar foi a presença da imprensa", disse o PM. Ao ver a chegada de repórteres, câmeras e fotógrafos, Carvalho começou a dar sinais de que iria se entregar. E foi o que fez.   Do saguão do hospital, o técnico em informática foi levado direto para o 5.º DP, na Aclimação, onde foi autuado por cárcere privado. Crime que prevê uma pena de um a três anos de reclusão (prisão). Sem direito à fiança. Com Carvalho a polícia apreendeu duas facas.   Ao saber que seu cliente seria indiciado por cárcere privado, a advogado Débora Neri falou: "Vou tentar a liberdade provisória ou a internação dele num hospital. Meu cliente tem um tumor. Se ele for para a prisão será morto ou se matará", disse a advogada. A vítima foi amparada por uma equipe médica e desmaiou. De acordo com o hospital, Martins foi sedado e ficou internado em observação.

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