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Homem que ameaçou incendiar juíza pode ter sentença nesta terça

Tribunal do Júri deverá decidir se réu é culpado ou inocente das acusações de tentativa de assassinato contra magistrada no Fórum do Butantã

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S. Paulo

03 Julho 2017 | 21h52

SÃO PAULO - O Tribunal do Júri deve decidir nesta terça-feira, 4, se o homem que atacou a juíza Tatiane Moreira Lima, em 30 de março de 2016, quando ameaçou colocar fogo na magistrada em uma sala do Fórum do Butantã, será condenado ou absolvido das acusações de tentativa de assassinato. O julgamento começou nesta segunda-feira, 3, no Fórum Criminal da Barra Funda, onde todas as testemunhas foram ouvidas. A sessão foi interrompida e deve ser retomada às 10 horas desta terça. 

A defesa tenta livrar Alfredo José dos Santos das condenações sustentando que ele não teve intenção de matar a juíza, e, sim, agiu por forte emoção realizando uma ameaça, passando a responder somente pelo cárcere. No ano passado, Santos invadiu o fórum na zona oeste da capital, arremessou uma bomba contra um segurança - motivo pelo qual ele responde a uma segunda tentativa de assassinato - e chegou à sala de Tatiane, onde a manteve refém e ameaçou incendiá-la. Gravações de celulares mostram o momento da abordagem em que ele pediu que a juíza o declarasse inocente.

Tatiane era a juíza responsável por um caso de acusação de agressão de Santos contra a ex-mulher. Em outro processo, ele temia perder a guarda de um filho de cinco anos e se declarava injustiçado pelo Poder Judiciário. O homem foi detido por policiais militares após se distrair enquanto mantinha a magistrada sob ameaça e está preso desde então na Penitenciária 2 de Tremembé, no interior do Estado.

Nesta segunda, com uniforme marrom do presídio e chinelos de dedo brancos, ele assistia ao depoimento das testemunhas. Foram oito no total, entre policiais, funcionários do fórum e uma advogada. A última testemunha a ser ouvida, à noite, foi a atual mulher de Santos, com quem tem uma filha de 1 ano e 6 meses. Ela foi arrolada pelos advogados de defesa e descreveu o comportamento do homem, negando ter sofrido qualquer ameaça anterior ou ter conhecimento do plano montado por ele para atacar a juíza. Em dois momentos, ele chorou ao ouvir as dificuldades da mulher em manter a casa e a rotina sem ele.

Os trabalhos desta terça devem começar pelo interrogatório do réu e continuar com os debates entre acusação e defesa, terminando, então, com a votação dos jurados. Para o promotor Rogério Leão Zagallo, é "desesperada" a tentativa da defesa em tentar afastar o fato de que Santos tentou matar Tatiane. "É a última e desesperada opção da defesa e que, ainda assim, vai contra as provas do processo. Ouvimos hoje das testemunhas descrição quanto ao comportamento, o que deixa claro o que ele queria fazer naquele dia", disse. "Ele chegou a acionar o isqueiro, que não funcionou. Ele se planejou e se armou assumindo o risco do que iria fazer", completou.

 

 

 

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