Homem preso como líder da 'gang das loiras' é apenas marido de uma delas

Único homem da quadrilha de sequestros foi preso nesta quarta-feira, 21; grupo praticou mais de 50 crimes

Denize Guedes - O Estado de S. Paulo, texto atualizado às 23h32

21 Março 2012 | 16h50

SÃO PAULO - O homem preso na tarde desta quarta-feira, 21, como suspeito de ser o único homem da chamada "gang das loiras" não é o líder da quadrilha, que vêm praticando sequestros relâmpago em São Paulo desde 2008, nem seria integrante dela, segundo a polícia. Wagner Dantas da Silva foi detido pelo 5.º DP (Aclimação), que havia recebido uma denúncia, mas, após prestar depoimento no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), foi liberado no fim da noite.

Silva é marido de Liumara Valezin, uma das loiras da gang, que até então estava sendo identificada apenas como Silmara Lan (Lan é apelido). "Ele estava com os documentos da mulher, e sua prisão ajudou ao menos na identificação dela", disse Alberto Pereira Matheus Junior, delgado titular da 3ª Delegacia Antisequestro do DHPP, responsável pela investigação do caso. "Mas como não existe nada contra ele, está sendo colocado em liberdade."

Silva, porém, já teve passagem por furto a condomínio em São Paulo, no ano passado. "Ele cumpriu pena e estava liberado já havia três meses", informou o delegado.

Coincidências. O verdadeiro líder da gang também se chama Wagner, mas Wagner Gonçalves de Oliveira. E também é marido de uma das integrantes da gang, Monique Awoka Scasiota - a única morena do grupo. "Compareceram duas vítimas que poderiam fazer a identificação, mas elas não reconheceram Oliveira no homem que foi detido", acrescentou Matheus Junior.

A 3ª Delegacia Antisequestro vai seguir na investigação do caso. Até agora, apenas Carina Geremias Vendramini foi presa no último dia 9, em Curitiba (PR). Priscila Amaral, Franciely dos Santos, Vanessa Geremias (irmã de Carina), Liumara e Monique são consideradas foragidas pela polícia.

Modo de agir. A maneira como o grupo atua tem chamado a atenção. Cada loira abordava as vítimas em estacionamentos de supermercados e shoppings, circulava com a vítima no carro e, ao final, levava pertences dela. Quando efetuava uma compra com o cartão de alguma vítima, porém, uma outra integrante era quem assumia a ação. "Isso acaba dificultando o trabalho de reconhecimento pelas vítimas", diz o diretor da Divisão Antisequestros, Joaquim Dias Alves. "Qualquer loja hoje tem câmera de segurança, mas quando se vai identificar a loira, a vítima vê que não foi aquela que a roubou", completa.

O bando também se apropriava da história do famoso casal de criminosos americanos Bonnie e Clyde. Oliveira seria chamado de "Clyde" por elas, que receberiam o apelido de "Bonnie". A gang também teria atuação fora de São Paulo, mas apenas no Estado cerca de 50 ocorrências são atribuídas a ela.

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