Homem morre no interior de SP após usar 'vacina do sapo'

Amigo confessou ter aplicado a substância no empresário e no filho dele, que está com o braço inflamado

Simone Menocchi, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2008 | 17h26

A polícia civil de Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, ouviu nesta sexta-feira, 25, o empresário Jorge Roberto de Oliveira Rodrigues, de 40 anos. Ele confessou ter aplicado a chamada "vacina do sapo" no comerciante Ademir Tavares, de 52 anos, no último sábado, 19. Ademir foi submetido à aplicação da substância, retirada pelos índios amazonenses da pele de um sapo, e morreu em seguida, na casa de Jorge Roberto, onde estavam mais quatro pessoas. Entre os amigos do empresário estava o filho de Ademir, Luiz Augusto Tavares, de 25 anos, que também recebeu o medicamento, passou muito mal e está com inflamação no braço. "Ele contou que passou muito mal e que tinha ido à casa do empresário porque seu pai, Ademir, insistiu muito", contou o delegado responsável pelas investigações, Vicente Lagiotto.  Ainda segundo o delegado, o comerciante demorou muito para voltar do banheiro, o que chamou a atenção dos presentes. "Quando foram até o banheiro, o encontraram caído, de olhos abertos e sem respirar. Foi socorrido, mas segundo os médicos, já chegou morto ao hospital", afirmou. As outras pessoas que estavam na casa não chegaram a passar pela aplicação, que ocorre no braço ou nas pernas. "O empresário contou que ele mesmo usou por várias vezes nos últimos oito meses e que nunca teve reação nenhuma. Informou que mandou buscar no Acre a substância e que não cobrava nada dos amigos". Segundo o delegado, o empresário que aplicou o suposto remédio tinha consciência do que estava fazendo. "Ele disse que sabia que a substância era forte e por isso a diluía em água". Rodrigues vai responder por exercício ilegal da medicina e homicídio doloso. "Houve dolo, porque ele sabia dos riscos. Vai responder em liberdade porque não oferece risco e se apresentou voluntariamente".  A "vacina do sapo", a substância é retirada da pele da rã Kambo (Phyllomedusa bicolor) pelos índios da Amazônia. Sem comprovação científica de que é um produto seguro, seu uso não tem a aprovação da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) e até a publicidade do produto está proibida desde 2004.  "Retirada da barriga da rã Phyllomedusa bicolor, a substância é usada pelos índios para acabar com a má sorte na caça e na pesca. Não existem pesquisas que assegurem o uso da vacina do sapo Kambô para as indicações feitas no site, portanto, o paciente que consome o produto está sujeito a sérios e desconhecidos agravos à saúde", diz a portaria da Anvisa, publicada em 30 de abril de 2004. A substancia provoca, segundo investigações da própria policia, aumento da pressão arterial e dos batimentos cardíacos. Ontem a policia recolheu todo material encontrado na casa do empresário.

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