Homem morre em SC após choque de arma da PM

Policiais teriam feito três disparos de Taser para controlar a vítima em sua casa, que sofreu parada cardiorrespiratória

JÚLIO CASTRO , ESPECIAL PARA O ESTADO, FLORIANÓPOLIS, O Estado de S.Paulo

27 Março 2012 | 07h41

O assistente de controladoria do ramo de transportes Carlos Barbosa Meldola, de 33 anos, morreu na madrugada de domingo, após ser atingido por descargas elétricas de uma pistola Taser disparadas por policiais na Praia dos Ingleses, em Florianópolis.

Às 2h30, a companheira de Meldola, uma administradora de empresas de 31 anos, disse que se sentiu ameaçada por ele e acionou a polícia. Segundo a mulher, Meldola tinha alucinações por causa do uso de cocaína. A companheira dele, que pediu para não ser identificada, disse que telefonou para um hospital pedindo ajuda e depois chamou a polícia. Ao chegar ao apartamento do casal, os policiais encontraram Meldola descontrolado. Tentativas de diálogo não foram suficientes para acalmá-lo e os policiais decidiram algemá-lo, mas Meldola não parou de se debater, de acordo com os policiais. Foi então decidido usar a Taser que, segundo, a companheira, foi disparada três vezes, até que o homem ficasse inerte.

No boletim de ocorrência consta que o policial disparou a Taser acreditando que Meldola pudesse se jogar pela janela do apartamento, no 3.º andar. Os policiais tentaram reanimar o homem, que morreu no local.

"Não temos como precisar o número de disparos, uma vez que não existe esse dispositivo de controle na arma", afirma o delegado Antônio Cláudio Jóca, da 8.ª Delegacia de Polícia. No atestado de óbito consta parada cardiorrespiratória. Segundo a Polícia Militar de Santa Catarina, nem todos os policiais dispõem de Taser. Para portar a arma é necessário fazer cursos.

"Fatores externos contribuíram para o óbito. A arma não foi feita para ser letal", disse o delegado, sobre o provável uso de drogas pela vítima, segundo descrito no boletim de ocorrência.

Fator de risco. Segundo o cardiologista e diretor do Laboratório de Treinamento e Simulação em Emergências Cardiovasculares do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas, Sergio Timerman, o uso de drogas como cocaína aumenta muito o risco de arritmia. O choque de uma Taser em um indivíduo sob efeito da droga elevaria a suscetibilidade do indivíduo. "Um tiro pode paralisar porque faz perder a coordenação motora. Mais de um é tortura." / COLABOROU CAMILA BRUNELLI

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