Homem invade missa dos 454 anos de SP e fere duas pessoas

Aparentemente embriagado, homem entra armado em catedral e causa confusão; feridos não correm perigo

José Maria Mayrink, de O Estado de S. Paulo,

25 de janeiro de 2008 | 11h22

O sambista Benedito de Oliveira, mais conhecido como Benedito do Pagode, provocou um tumulto e feriu duas pessoas com uma faca na manhã desta sexta-feira, 25, durante a celebração da missa comemorativa dos 454 anos do aniversário de São Paulo, na Catedral da Sé, celebrada pelo cardeal-arcebispo, d.Odilo Pedro Scherer. Quando a segurança interna da Sé tentou retirar o sambista, ele sacou uma faca e tentou reagir.  Veja também:D. Paulo Evaristo Arns é homenageado no aniversário de SPTermina em guerra de bolo festa no Bixiga'Melhor presente para SP é a continuidade', diz Kassab JT: São Paulo além do cinza Os roteiros de São Paulo Veja as fotos das comemorações pela cidade   Com um cavaquinho na mão esquerda, Benedito do Pagode subiu em um banco da ala lateral esquerda do templo e começou a falar em voz alta, com palavras confusas, durante a homilia do cardeal, que lembrava o trabalho pastoral e social da Igreja na cidade. A faca tinha cerca de 30 centímetros de cumprimento e cabo de madeira. "Vamos manter a calma", disse d. Odilo, interrompendo por um instante a homilia, enquanto Benedito do Pagode, derrubado no chão, tentava se livrar dos agentes de segurança e, nessa altura, também de policiais militares. "Me solta, São Paulo", gritou o sambista, ao ser agarrado. No embate com a segurança, ele feriu Ivan Gomes, da Pastoral do Menor, e o capitão Mauro Ricciarelli, da Polícia Militar. Ambos foram atingidos levemente nas mãos e liberados, depois de attendidos no Pronto Socorro Vergueiro. O incidente ocorreu a dois metros da área em que se encontravam o prefeito Gilberto Kassab, o secretário e subprefeito Andrea Matarazzo, os ministros Luiz Marinho (Previdência) e Carlos Lupi, (Trabalho), o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Vaz Lima, o secretário da Segurança, Ronaldo Mazargão e os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Romeu Tuma (PTB-SP).  "A impressão que se tem é que ele estava embriagado e, aparentemente, não tinha a intenção de atacar nenhuma Autoridade", disse o coronel Álvaro Camilo, da Polícia Militar, comandante da Região Centro da capital. "Benedito de Oliveira é uma figura conhecida e tem várias passagens pela polícia por roubo, ameaças e lesão corporal", acrescentou o oficial.  O sambista olhava para a frente e não parecia se dirigir a ninguém, especificamente, enquanto falava de cima do banco. Ele só saiu do lugar quando foi agarrado pelos agentes de segurança. O local em que se encontrava era distante do altar mor, onde o cardeal d. Odilo Scherer celebrava, acompanhado de 13 bispos e dezenas de padres. Entre os bispos, d. Luiz Flávio Cappio, de Barra (BA), que em dezembro fez uma greve de fome - a segunda - em protesto contra a transposição do Rio São Francisco.  Nos primeiros bancos da ala direita da nave central, sentavam-se os comandantes das unidades do Exército, Marinha e Aeronáutica e o comandante-geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Outras autoridades presentes eram os cônsules gerais da Argentina, Alemanha e Itália. Havia também representantes de igrejas e comunidades religiosas não católicas.  O capitão ferido Ricciarelli, ferido ao tentar desarmar o sambista, estava à paisana e integrava a equipe de segurança do secretário de Segurança, Ronaldo Mazargão. Respondendo à pergunta de um repórter, que estranhou como um homem entrou armado numa cerimônia que reunia tantas autoridades, o coronel Camilo disse que "a igreja é uma casa de todos e ali entra quem quer". Pouco depois, d. Odilo, também falando à imprensa, lamentou a falta de segurança na cidade, "até numa igreja, onde não deveria haver violência". A maioria dos 1.500 fiéis que estavam na catedral não entendeu o que estava ocorrendo.  Benedito do Pagode foi detido e levado para o 1.º Distrito Policial, onde passou a tarde prestando depoimento. A polícia ouviu também as vítimas e agentes pastorais que presenciaram o incidente. Padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Menor, que participou da celebração, saiu da igreja sem comentar a agressão sofrida por Ivan Gomes. Quando a cerimônia terminou, um funcionário da Catedral da Sé limpou as manchas de sangue deixadas no chão e um capitão da Polícia Militar recolheu o cavaquinho de Benedito do Pagode, que estava encostado numa coluna. 

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