Homem invade loja e faz reféns no Itaim

Comerciante de Minas rendeu 15 pessoas em unidade da Planet Girls e, após 1 hora, se matou; ele acusava a rede de ter causado sua falência

Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2011 | 00h00

O bairro do Itaim-Bibi, na zona sul, parou ontem por cerca de uma hora, após um comerciante armado invadir a loja Planet Girls, na Rua João de Brito. Pedro Jorge Saraiva, de 41 anos, dizia querer vingar-se. Ele era dono de uma microempresa de representação de vendas, que, segundo ele, faliu por culpa da grife. O comerciante fez 15 reféns - entre funcionários e clientes - deu cinco tiros e, no fim, cometeu suicídio.

Os disparos foram feitos com a chegada da primeira viatura da Polícia Militar. As balas atingiram o abdome de um soldado, que foi salvo pelo colete balístico, e danificaram uma porta de vidro, além de janelas e paredes.

Pouco depois do meio-dia, o 190 da corporação começou a receber consecutivos chamados com denúncias de ladrões assaltando um estabelecimento. Muitas informações eram desencontradas - alguns informantes mencionavam até brigas de casal para os atendentes do número de emergência.

Minutos após detectar que o caso envolvia reféns, a polícia enviou ao local forte aparato policial, que incluía atiradores de elite, helicóptero fazendo voos rasantes, 20 motos, bicicletas, quatro viaturas e uma van com sistema de filmagem.

A ação fez pedestres e trabalhadores da Rua João Cachoeira pararem para acompanhar o desfecho da ocorrência. O motorista Givaldo Dantas, de 41 anos, largou a feijoada para ir ao local. "Vi o helicóptero e achei que fosse coisa grande", conta. "Tenho amigos por aqui." Com medo, alguns lojistas baixaram as portas.

De Poços. Segundo o coronel Walmir Martini, comandante do 23.º Batalhão (Pinheiros), o atirador saiu de Poços de Caldas, em Minas Gerais, e já chegou à loja transtornado. Estacionou seu Meriva no meio da rua e desceu com dois revólveres em punho. Depois, dominou um motorista da loja que entrava em um Corolla, no mesmo momento em que alunos de uma escola particular da região deixavam as aulas.

"Oi, vocês lembram de mim? Voltei para me vingar", disse Saraiva aos reféns. Segundo as vítimas, as mãos dele tremiam e ele suava muito.

"É um ex-cliente daqui. Ficou com as armas a cinco centímetros da minha cabeça. Ele queria que eu entrasse na loja, mas depois me soltou", descreveu o motorista Júlio César Gomes, de 32 anos. "Nunca vi uma pessoa tão transtornada em toda a minha vida."

Dentro do comércio, ele dominou pessoas em três andares e, durante todo o tempo, usou uma vendedora como escudo. "Foi horrível. Ele dizia que ia me matar e se matar", contou a funcionária, que pediu para não ser identificada.

A empresária Luciane Console, franqueada da loja, estava no local e também ficou muito abalada. "Ele veio predisposto a ferir os funcionários", contou. "A gente chegou a achar que era um assalto. Depois, ele subiu e pegou os reféns. Isso tudo é muito triste."

Sem negociação. De acordo com o coronel Martino, o comerciante não quis em momento algum negociar e repetia que não queria nada. "Ele gritava, dizendo que tudo havia acabado para ele e só sairia dali morto."

Em determinado momento, a refém conseguiu sair do escritório onde os dois estavam. O comerciante, então, fechou a porta e colocou móveis para impedir a entrada da polícia.

A PM diz que o atirador disparou contra o próprio rosto. Só depois houve a invasão do escritório. Saraiva tinha um filho e chegou a avisar a mulher, por celular, que se mataria.

A família do comerciante disse a policiais que outro irmão dele já havia cometido suicídio, há dois anos. Mas Saraiva, apesar de ter o negócio falido, não dava sinais de descontrole. Segundo parentes, ele não usava medicamentos.

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