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Homem filma salto de paraquedas de sacada de prédio; PM faz alerta

Para a Polícia Militar, filmar a atividade pode passar a falsa impressão de que é algo sem perigo; base jump não é regulamentado no Brasil

Rene Moreira, Especial para O Estado

03 Julho 2017 | 18h47

Imagine caminhar pela rua e, de repente, se deparar com um homem em um paraquedas caindo de um prédio no meio da cidade. A cena fez sucesso na internet com a divulgação de um vídeo em que um paraquedista pula da sacada de seu próprio prédio em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

No Brasil, não há lei que regulamente o base jump, esporte em que os praticantes também saltam de pontes, torres, penhascos e outros locais arriscados. Mas a Polícia Militar de São Paulo alerta para o perigo da prática.

"Mesmo treinado e experiente, ao filmar suas atividades, pode passar a falsa sensação de facilidade e de algo sem perigo", diz a corporação, que alega ainda que "isso poderá influenciar até crianças e adolescentes".

No caso de Ribeirão Preto, Aluísio Paes de Barros Filho, de 45 anos, contou que esta não foi a primeira vez que saltou da varanda de seu apartamento no 27º andar, na Avenida Caramuru, uma das mais movimentadas da cidade. Mas garante que, apesar de se jogar a 85 metros de altura, o salto é seguro.

Já a Polícia Militar não tem a mesma opinião. "Vale citar que, no caso do vídeo mencionado, foi analisado que há um terreno baldio ao lado do prédio do saltador, o que pode não acontecer em outros casos. Assim, além de arriscar a própria vida, pode colocar em risco a vida de outras pessoas", informou em nota encaminhada ao Estado.

No fim do ano passado, dois homens pularam de paraquedas do alto do Edifício Itália, segundo mais alto de São Paulo. A aventura durou 3 segundos de queda livre e 10 segundos de voo até o chão.

Outro paraquedista foi flagrado pulando do prédio do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), em Porto Alegre (RS), de terno e gravata. Mais saltos de prédios foram registrados ainda em cidades como Fortaleza (CE) e Bauru (SP), mas nem sempre a atividade termina bem para o praticante.

Em agosto do ano passado, Alexander Polli, considerado pioneiro do base jump, morreu em um salto na França. Já o brasileiro André Sementile, de 34 anos, perdeu a vida em 2015 durante um salto de base jump na Noruega. 

Rita Birindelli sofreu um acidente e sobreviveu. Em um blog, ela conta que saltou de um prédio em São Paulo e teve fratura exposta, com perda óssea, fíbula e tíbia quebradas. "Podia ter sido pior, por apenas 10 centímetros não fraturei a coluna na altura da lombar, fiquei pendurada pelo paraquedas que enroscou em uma árvore a pouco menos de um palmo de um banco de concreto", explica.

Ela assume a culpa e aponta ter ignorado vários fatores de risco. "Ignorei que era um salto de um prédio baixo, com pouca opção para pouso, com o pouso principal muito restrito, que não estava fazendo saltos parecidos com esse com tanta frequência e que estava ventando muito mais do que o tolerável para esse tipo de salto", diz. E completa: "Não existe mistério ou uma maldição. Existe, na maioria das vezes, falha humana".

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