Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Vazamento de gás causa incêndio em prédio na Sé; ruas da região são interditadas

Um homem de 47 anos teve 90% do corpo queimado e foi encaminhado para o pronto socorro do Hospital das Clínicas. Moradores relatam que estão sentindo cheiro de gás há mais ou menos um mês

Ana Paula Niederauer e Bianca Gomes, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2019 | 06h28
Atualizado 03 de maio de 2019 | 14h49

SÃO PAULO - Um vazamento na rede de gás natural da Companhia de Gás de São Paulo (Comgás), provocado por uma obra da Sabesp, causou um incêndio no 7º andar de um prédio na Rua das Carmelitas, no bairro da , região central de São Paulo. Um homem de 47 anos teve 90% do corpo queimado e foi encaminhado para o pronto socorro do Hospital das Clínicas. O incêndio aconteceu na madrugada desta sexta-feira, 3, por volta das 3h25. 

A vítima, de 47 anos, foi encontrada com o corpo queimado e com as vias aéreas comprometidas. Uma mulher que passou mal por conta do estresse também foi atendida. 

O porta-voz do Corpo de Bombeiros, capitão Marcos Palumbo, disse que uma das hipóteses de fogo no local é que pode ter havido sobrecarga de pressão do gás e, consequentemente, incêndio. “O gás natural é mais leve e deve ter dado lá em cima mesmo. Não é tão comum acontecer isso. Essa pressão muito grande por causa do rompimento (da tubulação) pode ter causado lá no sétimo andar um vazamento de gás. O gás ficou acumulado e começou a pegar fogo.”

Segundo Palumbo, as seis válvulas de fornecimento de gás rompidas foram fechadas. Por volta das 8h30, ainda havia foco de fogo em algumas bocas de lobo da região. Casas, prédios e comércios das Ruas das Carmelitas e da Tabatinguera foram evacuados. De acordo com Palumbo, os imóveis serão liberados quando o local estiver em segurança. A reportagem esteve no local e apurou que há vazamento de água na região, além de um cheiro forte de gás.

A moradora Maria José de Oliveira, de 49 anos, que vive há 30 anos no edifício Jalisco, localizado na Rua das Carmelitas, afirmou que o barulho da explosão foi estrondoso. “Quando eu ouvi crianças chorando, chamei meus filhos, abri a porta da sala, senti um forte cheiro de gás no oitavo andar. Saímos pelas escadas e fomos batendo nas portas dos apartamentos para avisar os moradores”, conta.

Segundo Maria José, as pessoas que moram no bairro estão sentindo o cheiro de gás há mais ou menos um mês. “Nesta semana, sentimos um cheiro mais acentuado e, nesta madrugada, aconteceu este acidente.”

Em nota, a Sabesp informou que "durante os serviços noturnos de troca de rede de água na rua Tabatinguera, a obra acabou atingindo a rede de gás. Imediatamente, a equipe acionou a Comgás para o fechamento". A companhia ainda lamentou pelo acidente e disse que vai colaborar com a apuração do caso e na prestação de assistência às vítimas".

Moradora há 3 anos de um edifício da Rua das Carmelitas, em frente ao prédio que pegou fogo, Regina Aguiar, de 27, disse que a situação no local está caótica e que a Sabesp e a Comgás não deram satisfação aos moradores sobre o incidente. “Uma falta de respeito! Eu e meus filhos, de 6 e 4 anos, estamos de pijama na rua desde às 3 horas da madrugada. Estamos sem dinheiro, sem documento e sem alimentação. Eu queria que alguém viesse nos dar satisfação. Sou vendedora e perdi o meu dia de trabalho.”

A Unidade Básica de Saúde (UBS) da  Sé, localizada na Rua Frederico Alvarenga, a 100 metros da Rua Carmelitas, abriu as portas para atender os moradores que estão se queixando de problemas de saúde. De acordo com Caroline Piggion, gerente da UBS, agentes de saúde da unidade estão abordando os moradores que necessitam de atendimento. “Muitos moradores que tiveram que sair às pressas  fazem uso de medicação contínua, portanto nós estamos atendendo as pessoas para medicá-las”, explicou. Pessoas que chegam à UBS estão se queixando de ardência nos olhos, náusea e dor de cabeça. Até às 10h, cerca de 10 moradores tinham sido atendidos.

A Sabesp montou uma tenda, no pátio do Poupatempo Sé, para prestar atendimento aos moradores que tiveram que sair dos seus imóveis na região. O gerente da Sabesp daregional Sé, Márcio Barbeto, informou que o posto montado pela companhia atenderá a população afetada. "Estamos providenciando o cadastro das pessoas e alimentação para quem precisa", explicou. 

Segundo Barbeto, todos os moradores que foram afetados pelo rompimento da tubulação de gás serão atendidos pela companhia.

“ Se a interdição se estender por mais tempo, nós iremos disponibilizar hotéis na região até que as moradias sejam liberadas pela Defesa Civi", disse Barbeto.

No momento da ocorrência, os bombeiros verificavam o vazamento de gás em uma obra da Sabesp na Rua Tabatiguera, que fica a menos de 300 metros do local do incêndio. O chamado foi feito por moradores do bairro que reclamavam do forte cheiro de gás. Durante o atendimento do chamado, os bombeiros perceberam uma fumaça próxima ao local e, quando contastaram haver um incêndio em um prédio, solicitaram mais viaturas para apagar o fogo. 

Em nota, a Comgás confirmou que o incêndio se deu em razão de um dano na rede de gás natural. Segundo a empresa, "o incêndio foi totalmente controlado pelo Corpo de Bombeiros por volta das 4h. As causas do acidente estão sendo apuradas e a equipe da Comgás permanece no local fazendo os reparos na rede".

O Corpo de Bombeiros permanece no local, mas afirmou que não há mais vazamento. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) anunciou pelo Twitter a interdição da Rua Tabatinguera junto a Pça Dr. João Mendes e da Rua Frederico Alvarenga junto da Rua Alexandria. A Rua das Flores e a Rua Alcides Bezerra também foram fechadas, segundo a assessoria dos Bombeiros.  

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