Homem faz filha refém e assassina a mulher

Com arma na cabeça, adolescente ajudou a polícia a negociar com o pai, que é surdo

Damaris Giuliana, O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2011 | 00h00

Depois de fazer a família refém por mais de quatro horas na tarde de ontem, um homem surdo matou a mulher na casa da família na Vila Nova Perus, zona norte da capital paulista. A filha foi libertada e ele se entregou à noite. Na saída, vizinhos gritavam pedindo o linchamento dele. A Polícia Militar fez um cordão de isolamento para que o homem fosse levado à delegacia.

Até as 22h30, a PM não sabia informar qual fora a motivação do crime, que aconteceu no sobrado número 115 da Rua Violeta Silvestre. O advogado João Francisco Alves de Souza estava no 46.º Distrito Policial tentando compreender o cliente, José Milton Cardoso, sem ajuda de um intérprete.

O policiamento de área foi acionado por volta das 16h30. Depois, homens do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) também foram para o local e assumiram as negociações. A filha, de 12 anos, apesar de refém, foi quem ajudou na comunicação entre Cardoso e os policiais. Ela passou o tempo todo com uma arma apontada para o rosto, mas tinha de curvar a cabeça para fazer a leitura labial e compreender o que o pai dizia. E era pelos leitura dos lábios dela que ele sabia o que os policiais diziam.

Tiro. Durante as negociações, houve um disparo contra uma laje. Ninguém foi atingido. De acordo com testemunhas, o homem ficou bastante nervoso com a multidão que se aproximou da casa e queria saber porque havia tantos policiais.

Eram pelo menos seis viaturas no local e dois atiradores de elite. Quatro policiais com escudos à prova de balas se posicionaram na frente da porta, além de dois soldados com fuzis e mais dois com um bastão e um alicate. Não houve invasão.

Rendição. O advogado de Cardoso foi chamado para ajudar na negociação. Ele se entregou por volta das 20h50. Pouco antes, havia libertado a filha, que foi atendida pelos bombeiros e, levada para o pronto-socorro da região, passa bem.

A viatura em que ele estava foi cercada e chegou a ser atingida por socos. A polícia fez um cordão de isolamento para retirá-lo do meio da multidão enfurecida. Só então o Gate soube da morte da mulher. Quando entraram na casa, encontraram o corpo de Rosa Sonia dos Santos, de 38 anos. À tarde, a filha teria ligado para uma tia para contar que o pai havia matado a mãe. / COLABOROU PLÍNIO DELPHINO

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