Homem em surto mata mãe dentro de casa

Segundo a polícia, filho é esquizofrênico e tinha parado de tomar os remédios

CAMILLA HADDAD, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2012 | 03h02

A funcionária pública Ana Sudário Canônico, de 59 anos, foi assassinada pelo próprio filho na tarde de ontem no Condomínio Riviera Paulista, um conjunto de casas de luxo na região da Represa do Guarapiranga, na zona sul de São Paulo. Mauro Canônico, de 37 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Militar, após ser denunciado pelo pai.

Mauro admitiu ter estrangulado a mãe, mas não deu detalhes sobre a motivação. Segundo investigadores, ele sofre de esquizofrenia e teria deixado de tomar os remédios - de tarja preta, para controlar a ansiedade - na tarde de ontem.

Mauro é irmão de André Canônico, percussionista da banda Falamansa. Por volta das 20 horas, o artista ainda seguia para o distrito policial para se informar sobre o que ocorreu. Antes, em prantos, passou pela casa da família.

Os gritos que vinham da casa de Ana puderam ser ouvidos por todo o condomínio. Pelo menos três vizinhos ligaram para a Central 190, informando sobre problemas na residência. O sargento Nelson Brito, do 37.º Batalhão da Polícia Militar (Jardim São Luís), foi um dos primeiros a chegarem ao condomínio de alto padrão e afirmou que o pai de Mauro, um empresário, estava "transtornado".

"Ele disse que o jovem jamais havia tido qualquer tipo de ato violento contra Ana e foi o primeiro a avisar a polícia sobre o assassinato da mulher pelo filho", ressaltou o PM. "A vítima tinha ligado para o ex-marido durante a tarde para dizer que Mauro estava muito nervoso e inquieto." Atualmente, Ana morava sozinha na residência com o filho. O percussionista André reside em Cotia, na região oeste da Grande São Paulo. "Quando o ex-marido chegou ao local, já era tarde demais para fazer qualquer coisa."

Ainda segundo o sargento da Polícia Militar, Ana estava caída na sala da residência e apresentava um corte profundo no pescoço, provavelmente causado por uma faca.

Mauro deve responder por homicídio doloso (com intenção de matar). Segundo Brito, ele já havia sido abordado duas vezes pela Polícia Militar, à beira da represa, por consumo de drogas. Caso se comprove um surto psicótico, ele pode, porém, ser internado ou mesmo considerado inimputável pela Justiça. Ele foi algemado e levado diretamente para o 101.º DP (Jardim das Imbuias). Até as 20 horas, não havia dado mais detalhes sobre o que ocorreu.

Antecedente. Em 2001, Ana chegou a registrar boletim de ocorrência do desaparecimento do filho no 16.º Distrito Policial (localizado na Vila Clementino, zona sul), onde a família morava na época. Na ocasião, ela contou aos investigadores que o filho estava em surto psicótico e em outras ocasiões havia tentado se matar.

No dia em que prestou queixa, Ana afirmou que Mauro saiu do apartamento da família de carro, sem falar com ninguém, levando somente uma cadela poodle e uma prancha de surfe. Após ser encontrado, a família se mudou para a região da Guarapiranga.

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