Homem é preso por homicídio doloso após atropelar mãe e filha na calçada

Delegado atende a determinação estadual de enquadrar crimes de trânsito com morte como ação intencional; acusado está em CDP

FABIO MAZZITELLI , WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2011 | 06h06

O auxiliar de bibliotecário Marcos Alexandre Martins, de 33 anos, foi indiciado por homicídio doloso depois de atropelar e matar Miriam Afife José Baltresca, de 58 anos, e a filha dela, Bruna Baltresca, de 28, na noite de sábado, na frente do Shopping Villa-Lobos, zona oeste de São Paulo.

Por dolo, entende-se que o motorista assumiu o risco de matar e assim o crime é enquadrado no Código Penal, com penas que variam de 6 a 20 anos de reclusão, mais severas que as previstas no Código de Trânsito Brasileiro.

Segundo o delegado Mauro José Arthur, que compareceu ao local do acidente, há indícios suficientes de que Martins estava embriagado e dirigia em alta velocidade quando invadiu a calçada onde estavam as vítimas.

O ponteiro do velocímetro do Golf preto dirigido por Martins parou em 100 km/h. Além disso, as pessoas que prestaram o primeiro atendimento e chamaram a polícia, algumas delas funcionários do próprio shopping, disseram que o motorista parecia ter ingerido bebida alcoólica.

"O choque foi tão violento que peças e acessórios do carro foram jogados a uma longa distância do local do choque. O motor do Golf chegou a ser retirado de seu compartimento", descreveu o delegado Mauro José Arthur, do 14.º DP (Pinheiros) - o motorista foi preso em flagrante após ficar preso nas ferragens.

Entre as testemunhas ouvidas pela polícia, o bombeiro Margo Veronezzi Luna, os médicos Marcio Simões e Andressa Giácomazzi, do Hospital São Luiz, afirmaram que Martins apresentava sinais claros de embriaguez.

Medicado, ele foi liberado por volta das 4h30 de anteontem e passou por exame clínico no Instituto Médico-Legal, após recusar-se a fazer o teste do bafômetro. Ontem, foi transferido para o Centro de Detenção Provisória do Belém e aguardava que fosse arbitrada fiança pelo juiz - o que pode ser feito hoje.

"A gente adotou uma linha de autuar e prender por homicídio doloso quem se envolve nesse tipo de acidente", diz o delegado titular do 14.º DP, Ricardo Arantes Cestari. Desde julho, pelo menos outros dois acidentes de trânsito com morte e suspeita de embriaguez do motorista houve a acusação de dolo eventual.

O advogado Roberto Vidulic disse ontem que Martins invadiu a calçada após desviar de uma moto, mas depois deixou o caso.

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