JB Neto/Estadão
JB Neto/Estadão

Homem é morto perto de casa após tentativa de roubo em Itaquera

Vítima foi baleada após grupo de seis assaltantes abordá-la em carro; assaltantes fugiram sem levar nada

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

23 Janeiro 2017 | 08h20
Atualizado 24 Janeiro 2017 | 14h51

SÃO PAULO - "Perdeu, perdeu!", gritou um dos seis criminosos, arma em punho, após bater no vidro do motorista que havia acabado de estacionar na Rua Lagoa da Barra, em Itaquera, zona leste da capital. "Peguem as coisas e desçam do carro", disse a vítima Antônio de Almeida Carvalho, de 58 anos, para a mulher, a filha e dois netos pequenos, ao entender que se tratava de um assalto. Todos saíram. Carvalho, não. Em questão de instantes, os bandidos abriram a porta e o arrancaram à força do banco. Foi baleado na cabeça na frente da família. Morreu a caminho do hospital.

O crime aconteceu na noite deste domingo, 22, por volta das 21h. A família havia saído minutos antes de um culto evangélico e Carvalho foi deixar a filha e os netos, uma menina de 3 anos e um menino de 6, no condomínio onde moram. Religioso, Carvalho frequentava uma igreja da Assembleia de Deus toda semana.

Câmeras de segurança gravaram o momento em que seis homens desembarcam de três motocicletas e abordam a família, que estava em um Fiat Idea, de cor cinza. O bando cerca o carro. Nas imagens, Carvalho aparece, ainda sentado, travando uma luta corporal com um dos bandidos antes de ser retirado do veículo. "Ele não resistiu ao assalto. Ele entrou em choque, não conseguiu descer do carro e os criminosos tiraram ele", afirmou Simone Carvalho, de 44 anos, a mais velha dos quatro filhos do casal. 

Menos de 30 segundos separam o momento da abordagem da quadrilha e o disparo que atingiu Carvalho na testa. Segundo testemunhas, os ladrões não tiraram o capacete, mas tinham aparência jovem. Estavam nervosos. "Mata, mata!", teria gritado um deles. "Não atira, não atira!", disse outro. Após o disparo, o bando fugiu sem levar nada.

"Foram pelo menos dois tiros", afirmou Simone, que estava na casa de amigos na hora do crime, mas se reuniu à família após ser avisada da morte do pai. De acordo com ela, Carvalho foi socorrido por um amigo que passava pela rua, mas não resistiu aos ferimentos e morreu antes de chegar ao Hospital Planalto, também na zona leste. "Nosso desejo é que esses assaltantes sejam pegos", disse.

O caso foi registrado no 63º Distrito Policial (Vila Jacuí), a delegacia de plantão da área, mas deve ser investigado pelo 103º (Itaquera/ Cohab II), que responde pela região do homicídio. Apesar de haver circuito de segurança no condomínio, os policiais não conseguiram, inicialmente, identificar os criminosos nem as motos usadas no assalto porque as imagens estão escuras. 

Outro caso. Uma mulher de 29 anos também foi assassinada a tiros na manhã de sábado, 21, a cerca de cinco quilômetros de distância de onde Carvalho morreu. A enfermeira Liliane Batista Costa foi encontrada morta em um condomínio do ex-marido, na Rua Aldo Giannini, na região de São Miguel Paulista, na zonal leste.

Segundo a Polícia Civil, ela foi atingida na têmpora esquerda, no pescoço e no tórax, dentro de um Volkswagen Fox. Os policiais encontraram o carro  com as portas e vidros fechados, mas destravado. Liliane estava caída para o lado direto, com as chaves do veículo nas mãos. A bolsa dela ficou no banco do passageiro. A arma não foi achada no local. O caso aconteceu por volta das 7 horas.

Aos policiais, o ex-marido da vítima relatou que havia pedido para Liliane ir até a casa dele buscar a filha, porque ele estava sentindo dores na perna e precisava ir ao médico. O homem disse que chegou a se dirigir para o hospital, mas voltou quando percebeu que havia esquecido a carteira do convênio médico. Ao chegar, um vizinho teria avisado que uma mulher foi baleada no condomínio. Era Liliane. 

Testemunhas disseram ter ouvido três disparos. Os policiais constataram sinais de chamuscamento nas regiões em que Liliane foi baleada - indício de que os tiros teriam sido à queima-roupa. Os investigadores também apreenderam o celular e um notebook da vítima para perícia.

 

Mais conteúdo sobre:
SÃO PAULO Itaquera

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.