Tulio Kruse/Estadão
Tulio Kruse/Estadão

Homem é assassinado a tiros em estacionamento na Vila Madalena

Wilker Kendy Marinho Sousa foi baleado na Rua Fidalga na noite desta quinta-feira; principal suspeito é de execução encomendada por dívida

Felipe Resk, Jéssica Otoboni, Paula Felix e Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2019 | 08h04
Atualizado 19 de julho de 2019 | 18h50

SÃO PAULO - O autônomo Wilker Kendy Marinho Sousa, de 30 anos, foi executado com seis tiros em um estacionamento na Rua Fidalga, na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, na noite desta quinta-feira, 18. Um dos suspeitos do crime, Reinaldo Francisco Ribeiro, de 43 anos, foi preso em flagrante. Ele nega participação.

Para a Polícia Civil, a principal hipótese é que o autônomo foi vítima de um crime encomendado, possivelmente por dívida. Em depoimento ao 91.º Distrito Policial (Ceagesp), delegacia responsável pela investigação, um amigo afirmou que Sousa ganhava dinheiro com "rolo de carro de leilão".

Irmão de um policial militar, Sousa ficou conhecido entre investigadores por costumar se passar por policial civil, motivo pelo qual foi preso em flagrante em 2015. Na ocasião, ele chegou a ser detido pela Corregedoria da Polícia Civil, que descobriu a farsa e o autuou por porte de arma de uso restrito e usurpação de função pública. 

Em 2018, Sousa voltou a ser preso por falsificação de documento público, segundo as investigações. Ele também foi condenado por roubo, praticado dez anos antes, mas o crime prescreveu.

Vítima não relatou ameaça, dizem testemunhas

Na quinta à noite, Sousa saiu para beber com dois amigos em um bar tradicional da Vila Madalena. Ao menos duas garotas, que ele havia conhecido na Rua Augusta, também participaram do encontro. O autônomo não relatou ter sofrido ameaças recentemente, segundo testemunhas ouvidas pela Polícia Civil.

Sousa chegou ao estacionamento por volta das 19 horas, onde deixou sua caminhonete Chevrolet S10. Cerca de 2h30 depois, ele voltou para o carro acompanhado de uma garota, mas ela deixou o local antes da chegada dos assassinos, segundo a investigação. 

Por volta das 22 horas, um Toyota Hylux entrou no estacionamento. O veículo estaria ocupado por dois a três criminosos, segundo depoimento do manobrista. Um deles teria usado uma arma para rendê-lo. "Ele falou que não era para eu me preocupar, porque o problema não era comigo", disse ao Estado

Segundo o manobrista afirma, não conseguiu prestar atenção em quem seriam os autores. Já aos policiais, a testemunha também teria dito que o criminoso mencionou que a vítima os "roubou" - palavra que, para os investigadores, dá margem para entender que o crime foi motivado por dívida.

Na hora, Sousa estava de saída do estacionamento, mas não conseguiu fugir e foi atingido por dois disparos na cabeça e outros quatro na barriga. No local, a perícia encontrou cápsulas de calibre 380.

O trajeto de fuga dos atiradores foi acompanhado por policiais militares por meio de câmeras do sistema Detecta, que reconhecem veículos por leitura da placa. Os policiais conseguiram planejar o cerco e interceptar o carro na Avenida Sumaré às 22h20.

Solto no ano passado, suspeito já respondeu por roubo e por tráfico de drogas

Só havia, entretanto, uma pessoa no veículo - o autônomo Reinaldo Francisco Ribeiro, que foi preso em flagrante por homicídio qualificado (motivo fútil). Ele não foi reconhecido na delegacia, mas a prisão preventiva foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), em audiência de custódia. Pela dinâmica dos fatos, foi considerado que a testemunha não tinha condições de apontar os autores, mas havia indício suficiente para incriminar o suspeito.

Ribeiro negou envolvimento no assassinato e disse que encontrou o carro parado, com a chave na ignição, e decidiu pegá-lo. "Estou passando necessidade e vi o carro 'dando deixa', e, infelizmente, peguei para vender os pertences", declarou ao Estado.

Segundo a polícia, o Toyota Hylux pertence a um idoso de Ribeirão Preto, no interior, que faleceu há cerca de seis meses. Como não há queixa de furto ou roubo, os investigadores agora querem saber como o veículo foi parar na mão de Ribeiro.

O suspeito tem antecedentes criminais por roubo, porte ilegal de arma e tráfico de drogas. Ele cumpriu pena em Araçatuba, no interior, e saiu da cadeia em 2018.

Nos próximos dias, a Polícia Civil vai ouvir as garotas que estavam no bar com Sousa. Também deve colher depoimentos de familiares da vítima, entre elas a esposa de Sousa, que é dona de um salão de beleza, e o irmão da PM.

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