Homem é morto com tiros de fuzil no Tatuapé, zona leste de SP

Polícia investiga se assassinato é um desdobramento de execuções dos integrantes do PCC no início do ano

Jéssica Otoboni e Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

24 Julho 2018 | 06h58
Atualizado 24 Julho 2018 | 16h08

SÃO PAULO - O foragido da Justiça Claudio Roberto Ferreira, o Galo, de 38 anos, foi morto com tiros de fuzil dentro de um carro blindado na região do Tatuapé, na zona leste de São Paulo, na noite desta segunda-feira, 23. A Polícia Civil investiga se o assassinato é um desdobramento de execuções de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) no início do ano.

tiros no tatuape

Crime aconteceu na rua Coelho Lisboa, no bairro do Tatuapé. Foto: Marcelo Gonçalves / Sigmapress

O veículo foi atingido por entre 50 a 70 disparos, segundo a Polícia Civil. "O indicativo é de que teria sido uma execução por conta, talvez, de uma briga interna dentro do partido", diz a delegada Ana Lucia de Souza, titular do 30º DP (Tatuapé), que instaurou inquérito.

Segundo investigadores, Galo chegou a fazer parte do PCC mas não há certeza se ele ainda integrava a facção quando os líderes Gegê do Mangue e Paca foram executados no Ceará, em fevereiro. Pouco depois, outros integrantes, envolvidos nas mortes, também foram mortos.

Ação

Por volta das 23h, Galo estacionava o carro, um Audi Q3, na Rua Coelho Lisboa, região conhecida por ser bem movimentada e ter bares de luxo. Segundo testemunha, dois veículos - um Hyundai HB20 e um Hyundai I30 - encostaram. Ao menos dois supeitos, de touca ninja, desceram e atiraram contra o automóvel da vítima.

Como a porta estava trancada, Bombeiros tiveram de usar um instrumento para abrir a lataria e socorrer a vítima. Galo chegou a ser levado para o Hospital do Tatuapé, mas já chegou sem vida.

 

No veículo, policiais encontraram R$ 73,3 mil, além de cinco celulares e quatro sacolas com roupas novas. Para a Polícia, o cenário é de que ele poderia estar deixando o Estado. "Talvez estivesse jurado de morte", diz a delegada. Para Ana Lucia, a quantia era "possivelmente do tráfico".

Galo também portava um documento falso. Ele havia sido condenado a 65 anos de prisão por roubo a banco em Guarulhos, que terminou com três mortes. Em 2016, conseguiu habeas corpus no Supremo Tribunal Federal, que foi derrubado depois. Como o criminoso não se apresentou, foi expedido novo mandado de prisão e Galo estava foragido.

Recentemente, policiais estavam em seu encalço. Há cerca de dois meses, investigações indicaram que ele estaria frequentando o Tatuapé e compraria um carro por lá. Os policiais, no entanto, chegaram à concessionário depois de ele já ter saído de lá.

O Audi Q3 estava bloqueado pelo antigo proprietário, após Galo pagar pelo veículo mas não passar para o seu nome. No dia anterior à morte, câmeras do Detecta identificaram que ele frequentou a região do Itaim Bibi, na zona oeste, e do Ibirapuera, na zona sul, antes de ir ao Tatuapé

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