Homem é agredido em São Paulo em suposto ataque homofóbico

Em depoimento no 7º DP da Lapa, vítima, que teve um osso da face fraturado e levou seis pontos, contou que foi perseguida por quatro homens e que não tem dúvida do motivo da agressão

William Cardoso, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2012 | 20h14

Um gerente de tecnologia da informação, de 35 anos, foi agredido na madrugada do último domingo, quando caminhava pela Lapa, na zona oeste de São Paulo, logo depois de sair de uma boate. Ele prestou depoimento nesta quarta-feira, 19, no 7º Distrito Policial (Lapa) e afirmou que foi agredido por causa de sua orientação sexual - é homossexual. Ainda não há pistas que levem aos responsáveis do ataque.

A vítima contou que foi perseguida por quatro homens, em dois carros, e agredida quando estava nas proximidades de um posto de gasolina, na Rua Emilio Goeldi, por volta das 3h de domingo. Um amigo, que estava com ele, ainda tentou fugir do bando.

Para o gerente, não há dúvida de que se tratou de um ataque homofóbico. "Eu não estava fazendo nada demais. Daí, um deles já desceu do carro gritando 'corre, veado, a gente vai te matar'. Um deles me agrediu mais, usando uma barra de ferro. Era alto, branco, forte, mas não aparentava ser skinhead", disse. A vítima teve um osso da face fraturado e levou seis pontos acima dos olhos.

O gerente mora há 10 anos em São Paulo e diz que nunca passou por qualquer situação parecida. "Eu me sinto inseguro. Nunca imaginei que fosse ser agredido assim, por nada, na rua."

Ele afirmou que a agressão vai mudar seus hábitos. "Vou preferir ir a baladas com manobristas, para não ter que andar até o carro e correr riscos."

Investigação. A polícia ainda procura saber o que de fato aconteceu. "Temos que identificar os autores do fato. Já temos pessoal na rua, mas é cedo para definirmos se é um caso envolvendo homofobia ou um conflito que acabou gerando lesões corporais", afirmou o delegado Rubens Barazal, responsável pelo caso. "Estamos atrás de testemunhas que, eventualmente, frequentem ou que estiveram no local", completou.

Histórico. O caso mais recente de homofobia aconteceu no último dia 3. O estudante de Direito da Universidade de São Paulo (USP) André Baliera, de 27 anos, foi agredido pelo também estudante Bruno Portieri, de 25, e pelo personal trainer Diego de Souza, de 29, na Rua Henrique Schaumann, em Pinheiros, na zona oeste. Os agressores foram presos por tentativa de homicídio.

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