Homem atira na ex em fórum, mata advogado e é morto

Montador, que estava proibido de se aproximar da mulher, tinha audiência da Lei Maria da Penha; detector de metais não é usado

Gerson Monteiro, especial para O Estado de S.Paulo

18 Julho 2012 | 23h34

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - O montador industrial Sérgio Marcondes dos Santos, de 50 anos, invadiu na tarde de quarta-feira, 18, o Fórum de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, interior paulista, e atirou contra a ex-mulher e o advogado dela, que morreu. Na sequência, enfrentou a polícia e acabou morto.

 

De acordo com a polícia, Santos participaria de uma audiência da Lei Maria da Penha - que protege vítimas de violência doméstica - no fórum da região central da cidade, localizada a 94 quilômetros da capital paulista. O local tem detector de metais, mas o aparelho está desligado desde a instalação.

 

Segundo a polícia, Santos atingiu a ex-mulher, Maria Aparecida de Siqueira, e o advogado José Aparecido Ferraz Barbosa quando os dois aguardavam o começo da audiência no saguão.

 

Na fuga, foi surpreendido por policiais que faziam a escolta de presos no momento da ocorrência. Um policial chegou a ser atingido por Santos e, ao revidar, acabou matando o atirador. A bala parou no colete de proteção do agente.

 

O advogado chegou a ser levado para o pronto-socorro da Vila Industrial, onde passou por uma cirurgia. Mas não resistiu aos ferimentos e acabou morrendo.

 

Barbosa era natural de Poços de Caldas, Minas Gerais. Em 1976, graduou-se em Direito pela Faculdade Octávio Bastos de São João da Boa Vista, no interior paulista, e se inscreveu como advogado em 1991 em São José dos Campos.

 

O policial e a ex-mulher também foram encaminhados para o hospital e seguem em observação, sem risco de morte.

 

Santos já havia sido condenado em 2011 por violência doméstica e estava proibido de se aproximar da ex-mulher.

 

O tiroteio causou pânico entre as pessoas que estavam no fórum no início da tarde e indignação em quem trabalha no local. "Segurança não é só pra mim, juiz, promotor e advogado, a segurança é para a população", criticou o juiz da 4.ª Vara, Carlos dos Santos Cunha.

 

Detectores. Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), seção de São José dos Campos, os detectores de metais estão desligados desde a instalação, feita há cinco anos.

 

O presidente em exercício da organização no Estado, Marcos da Costa, cobrou providências do Judiciário e pontuou a falta de policiais e de equipamentos de vigilância no Fórum de São José dos Campos. "Como representante dos advogados, a OAB solicita esclarecimentos sobre quais providências serão tomadas para evitar que infortúnios como o ocorrido na tarde de hoje (na quarta-feira) sejam evitados."

 

Já o Tribunal de Justiça de São Paulo não se manifestou sobre o tiroteio em São José dos Campos. Somente classificou a ocorrência como um "incidente", em nota veiculada no site oficial da instituição.

 

Investigação. O tiroteio entre o atirador e os policiais foi registrado por uma câmera de vigilância de uma empresa que fica na frente do fórum. O expediente na unidade do Judiciário foi suspenso após o tiroteio.

 

"A família (de Barbosa) está inconsolável. Esposa e filha receberam a notícia da morte no hospital e ficaram muito abaladas", contou Julio Aparecido Costa Rocha, presidente da OAB de São José à imprensa local.

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