Denny Cesare/Estadão
Autor dos disparos usou uma pistola e um revólver Denny Cesare/Estadão

Homem entra em catedral de Campinas, mata 4 e se suicida

Atirador teria feito disparos com revólver e pistola e depois se matado

Felipe Resk e José Maria Tomazela, Enviados especiais a Campinas

11 de dezembro de 2018 | 14h13
Atualizado 11 de dezembro de 2018 | 23h48

CAMPINAS - Um homem de 49 anos entrou na Catedral Metropolitana de Campinas, no interior paulista, e atirou contra oito pessoas que estavam rezando no local por volta das 13 horas desta terça-feira, 11. Quatro pessoas morreram e as outras foram socorridas. Segundo a polícia, agentes entraram na igreja e dispararam contra o homem. Ele, então, teria caído no chão e se matado em seguida.

O atirador foi identificado como Euler Fernando Grandolpho. Segundo o delegado José Henrique Ventura, diretor do Departamento de Polícia Judiciária São Paulo Interior 2 (Deinter 2), Grandolpho era de Valinhos, também no interior de São Paulo, e não tinha antecedentes criminais. "A profissão dele, ao que parece, era analista de sistemas", disse em entrevista coletiva na tarde desta terça. "Com a identificação, vamos investigar agora a motivação (do crime)."  Em uma mochila, investigadores encontraram a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de Grandolpho, emitida em Valinhos, no interior. Segundo as investigações, não havia carta ou bilhete escrito sobre o ataque.

A polícia investiga onde e com quem Grandolpho morava. "O vídeo que temos (mostra) ele dentro da igreja, o que prova que estava sozinho", disse Ventura. Segundo o delegado, o atirador nunca havia sido visto na igreja. 

A catedral fica na região central de Campinas, e houve corre-corre na hora do ataque, principalmente na Rua 13 de Maio, uma das mais movimentadas do comércio local. Para a polícia, a ação foi premeditada. "Ele não chegou atirando. Ele estava sentado, parado e quando se levantou começou a atirar nas pessoas", disse o delegado Hamilton Caviola Filho, do 1º DP de Campinas, responsável pelo policiamento na região. 

Para o delegado, o atirador demonstrou não ser iniciante com arma de fogo. "Durante o ataque, ele consegue fazer a trocar de pente caminhando, com certa facilidade. Se não tiver experiência, a arma acaba emperrando."

Houve uma missa na catedral às 12h15. As imagens das câmeras de monitoramento da igreja mostram o homem sentando nos fundos e analisando o ambiente. Depois de algum tempo, ele se levanta e passou a disparar contra os fiéis que estavam na catedral com uma pistola calibre .40mm e um revólver calibre .38mm. O atirador, que estava sem documentos, tinha ainda dois carregadores.

As vítimas são quatro homens: José Eudes Gonzaga Ferreira, de 68 anos, Elpidio Alves Coutinho, Sidnei Vitor Monteiro, de 67, e Cristofer Gonçalves dos Santos. 

Segundo o delegado, dois policiais militares que estavam do lado de fora da igreja ouviram os disparos e correram para a igreja. Um deles acertou um tiro na perna do atirador, que se matou em seguida. "Se não fosse o pronto atendimento da polícia, teria sido uma tragédia muito maior", afirmou o secretário municipal de segurança Luiz Augusto Baggio.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) socorreu os feridos para hospitais de Campinas. Uma mulher levada ao Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (HC-Unicamp) foi atingida nas pernas e tem quadro estável. Segundo o hospital, ela deverá ter alta ainda nesta terça-feira. Outros dois feridos estão no Hospital Municipal Mário Gatti e um terceiro foi internado no hospital Beneficência Portuguesa de Campinas.

Estão no IML do Cemitério dos Amarais os corpos do atirador e das vítimas José Eudes Gonzaga Ferreira, 68 anos, Elpidio Alves Coutinho, Sidnei Vitor Monteiro, 67, e Cristofer Gonçalves dos Santos.

Motivação é desconhecida

O delegado Ventura disse que, até o momento, não foi encontrada nenhuma conexão entre o atirador e as vítimas. "Nosso primeiro objetivo era identificá-lo, para conseguir levantar a motivação do crime", disse. "Não há informação que ligue ele às vítimas. Ele não foi reconhecido por ninguém na igreja."

Em nota, a Arquidiocese de Campinas informou que a catedral segue fechada e que motivação do crime ainda é desconhecida. "Assim que dispusermos de mais informações, as disponibilizaremos. Contamos com as orações de todos neste momento de profunda dor."

Em nota, a Prefeitura de Campinas informou que mobilizou o Samu, a Rede Mário Gatti, a Guarda Municipal e a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) para atender às vítimas do ataque.  No texto, a prefeitura disse que a prioridade no momento é "dar total atenção aos feridos e às famílias das vítimas".

Repercussão

O presidente eleito Jair Bolsonaro lamentou pelo Twitter o crime ocorrido em Campinas nesta terça-feira, 11, e disse que está acompanhando a apuração junto às autoridades.

“Estamos acompanhando a apuração das autoridades sobre o crime bárbaro cometido hoje na Catedral Metropolitana de Campinas, em São Paulo. Nossos votos de solidadiedade às vítimas dessa tragédia e aos familiares”, escreveu Bolsonaro na rede social.

Nesta terça-feira, um homem de 49 anos entrou na Catedral Metropolitana de Campinas e atirou em oito pessoas. De acordo com a Polícia, quatro pessoas morreram e outras foram socorridas. O homem, identificado como Euler Fernando Grandolpho ,se suicidou após o incidente. Grandolpho era de Valinhos, interior de São Paulo, e não tinha antecedentes criminais.

 

Testemunhas ouviram vários disparos

A gerente de uma loja de alianças que fica perto da catedral ouviu o barulho dos disparos e se assustou. "Ouvimos muitos tiros, mais de 20. Ouvi, mas não estava entendendo. Só fui entender quando as pessoas entraram correndo e gritando dentro da loja", disse Patrícia Silvério, de 40 anos.

"Vi um senhor, todo ensanguentado, correndo, até que uma ambulância o segurou", disse Patrícia. Segundo ela, várias lojas das redondezas fecharam as portas e uma faixa amarela faz o isolamento do local. 

Pedro Rodrigues estava dentro da Catedral e viu quando o atirador entrou na igreja e fez os disparos. "Era hora do almoço e fazia uns 5 minutos que a missa tinha acabado. Ele chegou com a arma em punho e saiu atirando. Sempre pensei que a igreja era um lugar seguro", disse Rodrigues.

'Ninguém pôde fazer nada', diz padre 

Em um vídeo divulgado no Facebook na tarde desta terça-feira, o padre Amauri Thomazzi, que celebrou missa pouco antes do ataque, disse que todos estão abalados com o que aconteceu. "Eu rezei a missa do meio-dia e quinze. No final da missa, uma pessoa entrou atirando e fez algumas vítimas, ninguém pôde fazer nada, ajudar de forma nenhuma", disse. 

"Aos amigos que estão pedindo informações, estou mandando essa mensagem para dizer que está tudo bem aqui na catedral. Ainda não temos informações de como vai ser a programação da catedral hoje e amanhã", informou o padre Amauri. No fim do vídeo, o padre pediu oração para as pessoas que foram feridas e para o autor dos disparos. /ANA PAULA NIEDERAUER, FELIPE RESK, JÚLIA MARQUES, JULIA LINDNER,  LUÍSA MARINI E   IVAN MACHADO, ESPECIAL PARA O ESTADO

 

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Homem que abriu fogo em igreja de Campinas não tinha antecedentes

Euler Fernando Grandolpho tinha de 49 anos; para polícia, ação foi premeditada

O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2018 | 17h57

SÃO PAULO - A Polícia Civil de Campinas, no interior de São Paulo, identificou na tarde desta terça-feira, 11, o autor dos disparos que mataram quatro pessoas e feriram outras quatro no interior da Catedral Metropolitana da cidade. Trata-se do analista de sistemas Euler Fernando Grandolpho, de 49 anos. Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), ele já ocupou um cargo de auxiliar de promotoria, mas exonerou-se da função em 2014.

Segundo o delegado José Henrique Ventura, diretor do Departamento de Polícia Judiciária São Paulo Interior 2 (Deinter 2), uma mochila do atirador foi encontrada no interior da igreja. Grandolpho abriu fogo contra pessoas que rezavam na catedral logo após uma missa. Em seguida, foi baleado por policiais, caiu e atirou contra a própria cabeça.

Segundo Ventura, documentos que pertenciam a Grandolpho indicam que ele era de Valinhos, também no interior de São Paulo, e não tinha antecedentes criminais. "A profissão dele, ao que parece, era analista de sistemas", disse Ventura em entrevista coletiva na tarde desta terça. "Com a identificação, vamos investigar agora a motivação (do crime)."

O delegado disse que Grandolpho nunca tinha sido visto na região. "Não era conhecido." Um vídeo interno da igreja mostra que ele se sentou aos fundos da igreja e analisou o ambiente. Depois de algum tempo, se levantou e passou a disparar contra os fiéis que estavam na catedral.

Para o major Adriano Augusto, comandante do 8º Batalhão, a ação indica que Grandolpho sabia manusear a arma. "Tudo indica, pela forma como manuseava, que ele tinha conhecimento", disse o major. Grandolpho recarregou a arma durante a ação - ele tinha quatro carregadores. Vinte e oito munições restaram. Segundo Augusto, caso a ação da polícia não tivesse sido rápida, outras pessoas poderiam ter sido atingidas.

 

 

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'Tinha um casal. Ele atirou uma vez em cada um e eu saí correndo'

Testemunha do ataque a tiros na Catedral de Campinas conta que no momento havia cerca de 20 pessoas rezando na igreja; suspeito teria se matado após ser atingido pela polícia

Felipe Resk, ENVIADO ESPECIAL

11 de dezembro de 2018 | 19h23

CAMPINAS - No início da tarde desta terça-feira, 11, o aposentado Pedro Rodrigues, de 66 anos, conta que passou em frente à Catedral Nossa Senhora da Conceição, no centro de Campinas. Apesar de ser evangélico, sentiu que deveria entrar e fazer uma oração. Iniciada às 12h15, a missa já estava acabando. Aos poucos, as pessoas foram deixando o local, mas cerca de 20 pessoas continuaram orando mesmo com a saída do padre, relata o aposentado. "Foi muito rápido", diz.

Sentado em um banco na diagonal da frente, um homem levantou de repente e se virou com uma pistola 9 mm na mão. "Só vi que tinha um casal, ele atirou uma vez em cada um e eu saí correndo", diz.

Identificado pela polícia, o atirador era Euler Grandolpho, de 49 anos, que teria iniciado um ataque a esmo contra os fiéis. Após ser baleado pela PM, ele teria se matado com um tiro na cabeça. O motivo do ataque é investigado.

"Ele não disse nada antes de atirar. As pessoas começaran a correr", afirma Rodrigues. "Na hora, já pensei que era uma chacina."

O aposentado conseguiu sair da igreja sem ser atingido. Na porta, parou para respirar, mas viu um homem baleado no ombro, tentando fugir. "Fiquei com medo e sai correndo até a rua."

Os PMs chegaram em questão de segundos. "Ouvi muita sirene, mas não sabia o que estava acontecendo", comentou o vendedor de uma loja de móveis. "Na hora, a gente não sabe se fecha a porta ou se tenta ajudar. As pessoas saíam correndo, gritando, chorando. Fiquei com muito medo", descreveu uma colega.

À tarde, a praça ficou tomada por curiosos, e a perícia teve de isolar o perímetro da igreja. Com celular, as pessoas gravavam autoridades dando entrevista ou faziam imagens da catedral.

Entre elas, faziam especulações sobre o motivo do crime. No Whatsapp, mostravam umas às outras a foto do atirador, de camisa azul, caído próximo ao altar. A maioria dizia nunca ter visto Grandolpho antes.

Vítima. A doméstica Edna Rodigues achou a irmã, Lourdes Rodrigues, 79, uma das vítimas. Ela foi internada no Hospital Mário Gatti, mas está bem. "Não vai precisar nem de cirurgia, graças a Deus. Ela vive na igreja e eu também. Era para estar lá, mas peguei uma faxina. Foi por Deus."

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‘Choro pelo meu filho, mas ergo a mão ao céu por minha mulher’, diz parente de vítimas

Aposentado foi ao IML para reconhecer corpo do filho, morto por um atirador na Catedral Metropolitana em Campinas

Felipe Resk e José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2018 | 21h58

SÃO PAULO - Amparado pelo filho e pelo neto e aos prantos, o aposentado Milton Monteiro, de 71 anos, foi nesta terça-feira ao Instituto Médico-Legal (IML) do Cemitério Parque Nossa Senhora da Conceição, em Campinas, para reconhecer o corpo do caçula, Sidnei Vitor Monteiro, morto por um atirador na Catedral Metropolitana da cidade. A mulher do idoso também foi baleada, mas não corre risco de morte.

“Ao mesmo tempo em que choro pelo meu filho, ergo a mão para o céu por minha mulher (Jandira, de 65 anos). Ela parou a bala com a mão e graças a Deus está viva”, contou o aposentado. Ele diz não saber como dar a notícia da morte de Sidnei à mulher, com quem é casado há 50 anos. “Ela falava com ele por telefone dez vezes por dia. Eram grudados.” 

Sidnei Vitor era ajudante de eletricista na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e se encontraria com a mãe para ir ao dentista. “Ela é muito católica, decidiu rezar na catedral”, disse Monteiro, que não quis falar sobre o atirador. 

A doméstica Edna Rodrigues chegou aflita ao IML em busca da irmã Lourdes, de 79 anos. Ficou aliviada ao saber que ela estava fora de perigo. A idosa foi atingida por um tiro dentro da catedral e levada ao Hospital Mário Gatti. “Não vai precisar nem de cirurgia. Graças a Deus. Ela vive na igreja e eu também. Era para estar lá, mas peguei uma faxina. Foi por Deus.” 

Armas. O caso ainda reacendeu a polêmica sobre flexibilizar a venda de armas de fogo no País, bandeira do presidente eleito, Jair Bolsonaro. Major Olímpio (PSL), senador eleito e correligionário de Bolsonaro, disse que crimes como esse ocorrem geralmente com armas ilegais e afirmou que, da forma como está, o Estatuto do Desarmamento fez um “empoderamento” dos bandidos. “Flexibilizar o estatuto é estabelecer regras de controle. Não é o descontrole de armas.” 

Já para o especialista em segurança da Fundação Getulio Vargas (FGV) Rafael Alcadipani, o ataque reforça o risco de armar a população. “Quanto menos arma, menos crime. É o que mostra a maioria dos achados científicos sérios.” Segundo ele, estudos mais recentes apontam que um aumento de 1% na circulação de armas pode causar crescimento de 2% nos crimes em geral. /Colaborou Luiz Fernando TOledo

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