Homem atingido por vergalhão tem alta no Rio

Operário não deve ter sequelas, dizem médicos

HELOISA ARUTH STURM / RIO, O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2012 | 03h12

O operário Eduardo Leite, de 24 anos, que há duas semanas teve o crânio perfurado por um vergalhão, teve alta na manhã de ontem. De boné e com uma pequena cicatriz acima do nariz, ele saiu sorrindo do Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, zona sul do Rio.

"Graças a Deus, os médicos estavam aí para dar a vida de volta para o meu filho. O importante é que agora ele está aqui com a gente", disse, emocionada, a mãe do operário, Maria Leite Duarte, de 56 anos.

Leite ainda se recupera, sem apresentar sequelas, de um acidente que aconteceu no último dia 16. Ele trabalhava no térreo de uma obra em Botafogo, na zona sul do Rio, quando foi atingido por um pedaço de ferro de 2 metros de comprimento e 2 centímetros de espessura. O objeto caiu do quinto andar, provocando um impacto equivalente a 300 quilos. O metal atravessou o capacete na parte de trás da cabeça de Leite e saiu pela frente, entre os olhos do operário. A barra ficou alojada na cabeça de Leite até ser removida no hospital.

Socorrido pelo Corpo de Bombeiros, o operário chegou consciente e falando ao Hospital Municipal Miguel Couto. Lá, ele foi submetido a uma cirurgia de cinco horas de duração e permaneceu internado desde então no Centro de Terapia Intensiva.

Recuperação. Segundo médicos, por pouco ele não ficou cego ou paraplégico, já que a região afetada fica a um centímetro do olho direito e a três centímetros da área responsável pela coordenação motora. O vergalhão atingiu a região cerebral responsável pelas emoções e mudanças de comportamento, mas pode ser que ele não apresente qualquer sequela.

Em entrevista à TV Globo, Leite disse que o que mais queria no momento era reencontrar os dois filhos, que não vê desde o acidente. "Quero ver meus filhos e dar um abraço neles. Às vezes você sai de casa para trabalhar e não tem tempo de dizer: 'Filho, te amo. Mulher, eu te amo'."

Irregularidade. Um dia depois do acidente, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ) realizou uma vistoria na obra e constatou irregularidades. Os vergalhões não estavam bem amarrados, o que contraria as normas de segurança. Além disso, ninguém isolou a área quando o vergalhão foi içado, procedimento de praxe que evitaria o acidente com o operário. Naquele momento, não havia na obra nenhum responsável técnico de segurança, afirma o Crea.

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