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Homem ateia fogo em ex-mulher e foge em Santo André

Vítima teve queimaduras de primeiro e segundo graus e está internada; suspeito ofereceu carona antes de cometer crime

Paula Felix e José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

27 Dezembro 2018 | 10h23

SÃO PAULO - Um homem de 48 anos ateou fogo na ex-mulher, de 31, na noite desta quarta-feira, 26, em Santo André, no ABC Paulista. Segundo a polícia, o suspeito foi ao local de trabalho da vítima, um hospital localizado na Rua Natal, no bairro Silveira, e ofereceu uma carona em sua motocicleta. Ao chegar ao estacionamento, jogou um líquido inflamável e fogo na mulher.

A Polícia Militar chegou a ser acionada para averiguar uma briga de casal, mas, antes de chegar ao local, os policiais foram informados de que o homem havia incendiado a mulher, a auxiliar de enfermagem Josefa Renata Bispo.

Segundo a Polícia Civil, o casal estava separado havia um mês e o suspeito, o segurança Edilson dos Reis Bispo, não aceitava o fim do relacionamento e queria reatar.

Ainda conforme a polícia, Josefa e Bispo foram casados durante dez anos e tiveram dois filhos. Naquela noite, ele foi ao hospital onde a vítima trabalha e propôs que conversassem sobre a guarda dos filhos. Assim que ela subiu na garupa da moto, ele começou a falar em reconciliação e Josefa se opôs.

O segurança parou a moto, pegou uma garrafa plástica no bagageiro e lançou o líquido em direção a Josefa, ateando fogo em seguida. Além de atingir a mulher, as chamas também pegaram na roupa de Bispo e se propagaram pela substância inflamável que havia caído no asfalto. O homem tomou a bolsa da vítima, atirou no fogo e fugiu de moto pela rua, na contramão.

Mesmo ferida, Josefa pegou o celular que havia caído e pediu ajuda. Ela foi levada para o Hospital das Acácias, onde trabalha, e continuava internada nesta quinta-feira, 27. Segundo o hospital, a mulher sofreu queimaduras de primeiro grau no rosto e de segundo grau em uma das mãos e no braço. Não havia previsão de alta.

Apontado pela mulher como autor do ataque, Bispo foi identificado também pelas imagens das câmeras. Policiais foram até sua casa, mas ele não foi encontrado. De acordo com o delegado Eduardo Buoro Ribeiro, do 1º Distrito Policial, a vítima contou que não havia sofrido ameaça antes e não esperava essa reação do ex-marido, por isso aceitou a carona. Ribeiro acredita que o segurança premeditou o ataque.

O suspeito fugiu após o ataque e, até a tarde desta quinta-feira, 27, era procurado pela polícia.

O caso foi registrado como tentantiva de feminicídio e violência doméstica no 1º DP de Santo André e será encaminhado para 3º DP da cidade, responsável pela área.

Mortes

Quatro mulheres foram vítimas de feminicídio desde a última terça-feira, 25, em cidades do interior de São Paulo. Em Salto, no dia do Natal, Rosenilda Taborda do Carmo, de 38 anos, foi morta a facadas pelo companheiro, José Sivaldo de Souza Santos, de 42 anos, depois de uma discussão. Ela estava com o filho de 6 meses no colo quando foi agredida. O casal estava separado e tinha reatado o relacionamento na véspera do Natal. No dia seguinte, eles voltaram a discutir e o homem a matou. Santos continua foragido.

Também no Natal, em Votuporanga, Suelen Karine Camilo, de 29 anos, foi assassinada com golpes de machado pelo marido, Antônio Barbosa, de 38. O casal havia passado a noite dançando com familiares e amigos. Conforme testemunhas, ela dissera ao companheiro que iria deixá-lo depois das festas do fim do ano.

No mesmo dia, em Bertioga, litoral paulista, o aposentado Maurílio Carvalho da Gama, de 62 anos, matou a ex-mulher, Neuza Alves de Souza Gama, de 57, com dois tiros. Ao ser preso, ele atirou contra a própria cabeça. Gama chegou a ser socorrido, mas também morreu.

Na noite desta quarta-feira, 26, Élida Paula, de 40 anos, foi assassinada com golpes de faca nas escadas do prédio em que morava, no Jardim Bassoli, em Campinas. De acordo com a Polícia Civil, o principal suspeito é o marido da vítima, que está foragido. O crime aconteceu na frente do filho de 12 anos do primeiro casamento de Élida. A vítima chegou a ser socorrida, mas não resistiu.   

Testemunhas disseram que a mulher vinha tentando a separação, mas o marido não consentia. No dia do crime, ela havia pedido ao  suspeito para deixar o apartamento. Dias antes de ser morta, Élida havia postado em sua página em uma rede social: “Me dei o direito de ser feliz... O que me atrasa, não me acompanha”.

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