Homem ataca 2 na Defensoria de SP

Armado com faca e martelo, ele golpeou vigias na cabeça e, à polícia, disse ser vítima de 'traição'. Ex-mulher move ação contra agressor

FELIPE TAU / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

26 Abril 2012 | 03h03

Um homem armado com uma faca e um martelo invadiu ontem um posto de atendimento da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, na Liberdade, região central da capital, e atacou dois seguranças. Transtornado, segundo testemunhas, Ivailton da Silva Souza, de 37 anos, chegou à unidade às 7h40 e golpeou os vigias a marteladas, no piso térreo. O ataque causou pânico entre as pessoas que estavam no local.

Souza foi dominado por seguranças e preso em flagrante por dois policiais militares que passavam pela rua no momento do ataque. Aos PMs, ele disse ter sido vítima de "traição", sem explicar sobre o que ou quem falava.

Os vigias Eugênio Carlos Gonçalvez, de 47 anos, e Walter Moreira, de 44, foram atingidos por golpes de martelo na cabeça e levados pelos bombeiros para o Hospital do Servidor Público Municipal, na região. Gonçalvez foi liberado depois de receber pontos, enquanto Moreira permanecia na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado grave, até as 20 horas de ontem.

Segundo o tenente Hugo Silva Neto, um dos dois primeiros PMs a atender a ocorrência, Souza estava bastante agressivo e teve de ser colocado no banheiro para não ser linchado pelo público. "Ele falou que se sentia injustiçado pela Defensoria e, por isso, decidiu fazer o que fez", contou o policial.

Um segurança da Defensoria que presenciou os ataques de Souza, e não quis se identificar, disse que ele estava transtornado e fazia ameaças. "Vocês ferraram a minha vida, vou acabar com vocês", teria dito o agressor, segundo relato do vigia.

De acordo com a Assessoria de Imprensa da Defensoria Pública, o agressor estava em disputa judicial envolvendo os três filhos que tem com a ex-mulher, Juliana Pereira de Sousa. Em setembro do ano passado, Juliana entrou com ação pedindo o reconhecimento da separação do casal, que ocorreu em 2010 depois de 11 anos de união informal. Em outubro, foi Souza quem entrou com processo contra Juliana, pedindo a regulamentação da guarda e da visita dos filhos, que ficaram com Juliana.

Depois de desistir de sua ação, Souza continuou como réu do processo movido pela ex-mulher e compareceu à Defensoria pela última vez no dia 19 deste mês. De acordo com o defensor Luiz Felipe Azevedo, o rapaz havia estado ao menos cinco vezes na unidade entre fevereiro do ano passado e abril deste ano.

Levado ao 8.º Distrito Policial (Brás), Souza foi indiciado por dupla tentativa de homicídio. Segundo o delegado Giuliano Sorte de Paula Silva, o agressor disse que falaria somente em juízo.

Segurança. A Associação Nacional dos Defensores Públicos (Anadep) e a Associação Paulista de Defensores Públicos (Apadep) divulgaram ontem uma nota repudiando o episódio de violência na unidade da Liberdade e criticando as condições de segurança das Defensorias do País.

"O fato demonstra a já tão evidente e reclamada necessidade de investimento em infraestrutura e segurança das unidades do órgão no Brasil", diz o comunicado, assinado por Rafael Português, presidente da Apadep, e Antonio Maffezol, presidente da Anadep. "Enquanto entidades representativas dos defensores públicos brasileiros e dos defensores públicos paulistas, especificamente, reafirmamos a necessidade de implementação de políticas públicas eficazes que contenham essas situações."

As entidades também manifestaram repúdio ao episódio de violência de ontem e solidariedade aos dois seguranças privados feridos no caso.

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