'Hoje não seria aprovada', diz autor de anistia a bombeiros

Parlamentar petista diz que não votará mais perdão a grevistas; para ele, o que ocorreu na Bahia foi um motim

Entrevista com

ALFREDO JUNQUEIRA / RIO, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2012 | 03h04

Autor do projeto de lei que resultou na anistia de bombeiros fluminenses que invadiram o quartel central da corporação no ano passado, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) defende a iniciativa e nega que a medida incentive outros protestos violentos, como o que ocorre agora com PMs na Bahia. O petista elogia a condução do processo pelo governador Jaques Wagner (PT) e diz que é preciso debater a sindicalização de policiais e bombeiros.

O senhor não considera que essas leis de anistia fragilizaram os governadores em relação às manifestações cada vez mais violentas de policiais e bombeiros? Eu apresentei o projeto de anistia em cima de um caso concreto, que foi o caso dos bombeiros do Rio. Isso fez parte de uma negociação, que envolvia até o governo do Estado, em busca de uma saída da crise. O caso do Rio não é como esse da Bahia. Foi uma manifestação de bombeiros, foram presos e estavam para responder um processo criminal. Na Bahia, houve um motim com participação de membros armados na Assembleia Legislativa, na paralisação de ônibus, no clima de pânico na cidade.

Mas no Rio também houve invasão do quartel central, com bombeiros armados...

Não havia ninguém armado. Aquele movimento sempre foi pacífico. Houve uma ocupação do quartel, mas era uma situação diferente. Eu reconheço que, se o projeto (de anistia) dos bombeiros chegasse hoje à Casa, não teria a menor chance de ser aprovado. O fato da Bahia criou um consenso no Congresso. Eu disse ontem (terça-feira) na tribuna que não voto mais em projeto de anistia.

Mas o senhor apresentou o projeto mais recente. O anterior era do então senador e hoje ministro Garibaldi Alves. São, portanto, de duas iniciativas de parlamentares da base do governo criando problemas para governadores aliados. Como administrar essa situação?

Eu não teria defendido nem apresentado um projeto numa situação como a da Bahia. Muito pelo contrário. Meu voto seria contra. Mas temos um outro problema aqui para enfrentar no parlamento. É sobre a organização e a greve no serviço público. Se não houver a mínima possibilidade de organização desses setores, facilita-se operações, como essa na Bahia, de grupos extremados.

O senhor defende a sindicalização de bombeiros e policiais?

A possibilidade de sindicalização - mesmo que se discuta sobre a permissão de greve - é um caminho para atenuar esse tipo de radicalização.

Como o senhor avalia o desempenho do governador Jaques Wagner nesse episódio?

Acho que está muito bem. Ele está mostrando pulso firme, ao não vacilar na defesa da ordem. Ao mesmo tempo, abriu canal de negociação com outros setores da polícia.

A situação na Bahia pode contaminar policiais e bombeiros de outros Estados?

Conversei com os bombeiros do Rio de Janeiro e os alertei que eles nunca estiveram tão isolados. Havia até um clima de simpatia pela PEC 300. Agora, dificultou muito. O movimento feito no Rio ganhou o apoio da sociedade e do povo porque foi pacífico. Se eles entrarem nesse movimento será um equívoco.

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