Priscila Mengue/Estadão
Priscila Mengue/Estadão

‘Hoje foi um, outro dia vai ser outro’, lamenta avó de advogado morto em ônibus

Cerca de 200 pessoas foram ao enterro de Felipe Fuschi Amaro, de 23 anos, morto no arrastão a ônibus nesta quinta

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2018 | 22h17

DIADEMA - “Hoje foi um, outro dia vai ser outro, e mais outro”, desabafou dona Cândida às cerca de 200 pessoas que acompanhavam o enterro de seu neto, Felipe Fuschi Amaro, de 23 anos. Inteligente e dedicado, segundo familiares e amigos, ele foi o passageiro morto no ataque ao ônibus.

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Recém-formado em Direito, Amaro obteve o registro de advogado há menos de dois meses. Segundo seu avô materno, Benedito José Correa, de 67 anos, o jovem deveria estar em uma audiência - a primeira que faria sozinho - na hora da tragédia. “Ele deve ter voltado para buscar alguma coisa, não sei”, lamenta. O jovem pretendia seguir a carreira na área tributária.

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De acordo com Correa, o neto não costumava andar de trólebus. “Ele usava o carro ou Uber”, conta. “Foi uma fatalidade. Poderia ter levado o tiro em qualquer lugar. Foi um só, mas no peito, fatal.”

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Amaro era pai de Laura, de 10 meses, fruto do casamento de cerca de um ano com a gerente de loja Rainara Silva. Antes disso, o jovem viveu a maior parte do tempo com o avô materno, com quem ainda costumava se encontrar várias vezes na semana. Toda a família mora em Diadema, na região metropolitana de São Paulo.

Corintiano comedido, o jovem é descrito frequentemente como inteligente e dedicado. Durante um período, foi motorista de Uber para equilibrar as contas. “Ele falava muito bem, tinha o poder da palavra”, conta o avô. “Era muito querido.”

Enterro

O velório ocorreu no Cemitério Vale Jardim da Paz, em Diadema. Pouco depois das 17 horas, sob palmas, o caixão foi carregado por oito policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), na qual seu pai, Eduardo Amaro, é sargento. A mãe é gerente de loja.

Na frente da cova do filho, o sargento agradeceu a presença de todos e pediu penas mais duras. “Alguma coisa precisa mudar esse País. Precisa mudar. Não dá para viver desse jeito. Precisa mudar”, defendeu. 

Em seguida, o professor de História Francisco Gomes Lima, de 56 anos, também se manifestou: “Esse menino foi o meu eterno aluno. Todos jovens façam o mesmo. Muito obrigado por você ter sido meu aluno”.

Ao Estado, Lima relatou ter recebido uma mensagem de Amaro na quarta-feira - com quem ainda mantinha contato cinco anos após a formatura do ensino médio. “A gente queria fazer um projeto social no (bairro Jardim) Inamar”, conta o professor da Escola Estadual Professor Pedro Madoglio. 

Segundo ele, no texto, o ex-aluno o chamava de “eterno mestre”. “Acredito nos meus alunos. O Felipe tem de ser exemplo de tudo isso.”

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