Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Histórias de quem faz aniversário com a cidade

Para muitos paulistanos - de origem ou coração -, hoje também é dia de apagar velinhas; alguns devem até seu nome à metrópole

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2013 | 02h01

Atualizada às 8h58 do dia 25/01

SÃO PAULO - Na sala de aula em que cursou o fundamental, em uma escola pública no Paraíso, na zona sul, o paulistano Paulo Pernambuco dividia seu nome com outros 12 xarás. Todos "Paulos", todos pelo mesmo motivo: haviam nascido em 1954, ano especial, comemoração do Quarto Centenário da fundação de São Paulo. Todos, portanto, levavam no nome uma homenagem à cidade onde nasceram.

No caso de Pernambuco, havia outro motivo para se orgulhar: ele nasceu justo em 25 de janeiro - data exata da comemoração da fundação. Hoje, ele faz 59 anos. "Minha mãe conta que quando nasci foi uma festa enorme. A cidade estava parada, estouros de rojões para todo lado, ter um filho no clima de festa, segundo ela diz, foi uma satisfação", lembra o comerciante, que trabalha em loja de informática na Praça da República.

"Naquele tempo, a maioria não marcava data para nascer. Nasci em 25 de janeiro, logo no dia da grande comemoração, e foi por obra do acaso, do destino...", diz Pernambuco, que se intitula um "quatrocentão" - e até hoje guarda lembranças relativas à festa "de seu nascimento": recortes de quatro jornais, pedaços de papel picado que eram jogados das sacadas dos prédios e medalhas comemorativas.

Quem convive com a coincidência não costuma se queixar - é, pelo menos, uma data difícil de ser esquecida pelos conhecidos. "Todo ano é feriado, fica fácil organizar a festa", lembra Paulo Rabaça, também nascido em 1954, também homenageado com o nome do santo que empresta o nome da cidade. "Ninguém esquece. Sempre alguém - um tio, um primo distante - entra em contato, parabeniza. O pessoal se acostuma a lembrar da data, também por causa do feriado", diz o engenheiro civil, que sempre viveu em São Paulo.

Hoje é dia de aniversário também de outro paulistano ilustre: o próprio prefeito, Fernando Haddad (PT), que completa seu 50.º aniversário justo no primeiro ano de mandato na cidade que governa. Apesar de ter falado sobre o assunto durante a campanha, ele não quis dar entrevista para esta reportagem.

A atriz Carolina Ferraz - nascida em Goiânia, mas que começou sua carreira artística em terras paulistanas - também comemora seu dia especial hoje: completa 45 anos com a cidade pela qual nutre carinho especial. Para definir a metrópole que a acolheu, tem palavras diretas: "São Paulo, para mim, é minha casa. O Rio, meu trabalho", define a atriz, que se mudou para a capital aos 14 anos e nela fez suas primeiras apresentações artísticas, como bailarina.

Mesmo tendo de passar boa parte da semana longe daqui, gravando no Rio, Carolina guarda carinho especial por programas paulistanos. "Gosto de São Paulo nos fins de semana, quando a cidade está tranquila, quando estou sozinha e paro num café qualquer, quando entro em um restaurante onde me conhecem pelo nome desde sempre (não porque sou famosa, não!), quando lembro das aulas de balé e das caminhadas em Higienópolis, onde cresci", conta a atriz, que diz se lembrar "desde sempre" das coincidências dos aniversários.

Nascimento. Além das comemorações públicas marcadas para hoje, haverá ainda outra homenagem à cidade, um pouco mais íntima. Hoje é o dia em que a bancária Sheila Ferreira de Almeida, de 32 anos, vai ter Luigi, seu primeiro filho - e de propósito, "para homenagear o amor pela cidade". "É um incentivo para que aprenda a gostar de São Paulo desde o primeiro momento. Pretendo passar a ele que há problemas aqui, há muito o que melhorar, mas que existe esperança. E isso é algo que vamos mostrar desde o nascimento", contou, radiante.

"Quando a médica disse que nasceria no fim de janeiro, não tive dúvidas: lembrei do aniversário da cidade e pedi o dia 25! Vai ser um verdadeiro paulistano!", disse.

Casada com o modelo gaúcho Luiz Fernando, Sheila redescobriu a cidade com o marido, que não conhecia São Paulo. "Foi quando decidi visitar com ele os pontos turísticos. Fomos ao Mercadão, ao Jardim Botânico, à Pinacoteca, à Estação da Luz, todos lugares especiais e que não podem passar batido", relembra a bancária, que agora se prepara para repetir, um a um, todos os programas. "Será a vez de apresentar as belezas paulistanas ao meu filho."

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