Histórias da Garoa

ELEIÇÃO

Pablo Pereira,

03 de outubro de 2010 | 00h11

Na trilha de dona Carlota

É eleitor no Brasil "o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo", escreveu o legislador no Código Eleitoral Brasileiro de 1932. Era a deixa para que as mulheres, até ali excluídas oficialmente do processo eleitoral, passassem a ter voz efetiva nas urnas.

Àquela altura já havia iniciativas de eleitoras que se inscreveram para votar (em Minas Gerais, 1906) e até uma prefeita eleita (Rio Grande do Norte, 1927). Mas o voto feminino nacional ainda não tinha o tamanho que foi sacramentado no Código, e reafirmado na Constituição de 1934, como ensina o Dicionário do Voto, de Walter Costa Porto (UnB, 2000), citado em estudo do Tribunal Superior Eleitoral.

Em São Paulo, uma médica foi pioneira na representação. Carlota Pereira de Queiroz foi a primeira deputada eleita no Estado, em maio de 1933, para a Assembleia Constituinte. Teve mais de 176 mil votos. Carlota tornou-se um ícone da participação das mulheres num processo de decisão que, 40 anos depois da Proclamação da República, ainda era privilégio dos homens.

"Ainda nessa legislatura tomaria posse a segunda deputada brasileira, a bióloga e advogada Bertha Lutz - tinha sido também a segunda mulher a ingressar nos quadros do serviço público brasileiro, em 1919 -, que assumiria a cadeira na Câmara Federal em julho de 1936, quando do falecimento de um deputado", escreve Antônio Sérgio Ribeiro, outro pesquisador do tema, em artigo sobre a história do voto feminino.

Na votação deste domingo, o eleitor brasileiro vai encontrar na urna eletrônica fotos de mulheres, bem avaliadas nas pesquisas de opinião, disputando o cargo de presidente da República.

Imagino que dona Carlota, médica, com doutorado em "estudos do câncer", educadora, política, constituinte - e que morreu em 1982 - ficaria contente ao ver o Brasil caminhando para sepultar de vez um passado que foi conhecido pela "mansa e pacífica" negação à mulher da oportunidade de ser opção eleitoral no País.

FUTEBOL

Rebolo jogou no clube Ypiranga

Alertado por leitores da coluna, a quem agradeço, registro correção de legenda da foto publicada aqui no dia 5 de setembro na qual o pintor Rebolo aparece com uniforme de futebol, identificado como sendo do time do Corinthians de 1922. Na verdade, a foto é do clube Ypiranga, time que o artista também defendeu.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.