Histórias da Garoa

ESTRADAS

Pablo Pereira, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2010 | 00h00

A volta da indústria da porteira

Rodar pelas estradas paulistas é uma beleza. São as melhores estradas do País, costuma alardear a propaganda do governo paulista nestes dias de preparação para a eleição. Justo. O que é bom - e bonito - deve ser festejado. São estradas de excelente qualidade, na comparação com o que há em outros Estados. Mas é preciso também dizer que essa maravilha tem um custo direto, e pesado, para o usuário: o pedágio. É taxa paga na boca do caixa das praças nas estradas e obriga o motorista a um desembolso além da carga de imposto que ele já paga ao Estado.

Olhando a história, nota-se que essa prática de cobrar um "por fora" para a manutenção da estrada é bem antiga. Até o Viaduto do Chá, no centro da cidade, já teve pedágio. À época houve protestos contra a cobrança, com abaixo-assinados de moradores que criticavam a exploração naquela ligação entre bairros paulistanos. Isso em 1896.

Em 1920, a empresa Sociedade Caminho do Mar, de Rudge Ramos, construiu e explorou uma estrada que ligava São Paulo à região do Alto da Serra, no rumo do litoral, conforme histórico de obras publicado no livro Dois Séculos de Projetos no Estado de São Paulo (Edusp, 2010), de Nestor Goulart Reis.

No caminho da expansão paulista, em 1922, um decreto regulamentou a lei e criou o primeiro Plano Geral Rodoviário do Estado. Lá estavam previstos grandes eixos radiais para o interior, ainda conforme o livro. A mesma lei criou também o que à época se chamou, segundo o livro, de "indústria da porteira". A lei permitia que empresas privadas construíssem estradas vicinais e cobrassem pelo uso. Lembra ainda o pesquisador o caso da empresa de São José do Rio Preto que "construiu estradas e organizou serviços de "jardineiras"", mediante pedágio.

TRÂNSITO

Paixão por carro vem de longe

Em 1908, ia-se de São Paulo a Santos em 36 horas e meia pela estrada Caminho do Mar. O trajeto foi percorrido, por exemplo, pelo então prefeito de São Paulo, Antônio Prado, em 16 de abril daquele ano. O registro está no livro do professor da USP Nestor Goulart Reis. Em 1913, Antônio Prado percorreu de carro cerca de 700 quilômetros até Curitiba. Gastou 12 dias. Hoje com uma frota de 6 milhões de carros, São Paulo, naqueles dias, vivia sua primeira febre pelo "automóvel". Tinha 5.818 veículos -5.596 de passageiros e 222 caminhões - em 1920. Seis anos mais tarde, em 1926, o número já saltara para 63 mil carros - 18 mil na capital.

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