Histórias da garoa

CENTENÁRIOS CAMPEÕES

Pablo Pereira, O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2010 | 00h00

Rebolo, corintiano dos meio-tons

"Formiga" costumava correr com a bola pela ponta direita em campos de peladas do Parque Dom Pedro II nas primeiras décadas do século 20. Filho de espanhóis da Mooca, o garoto gostava de ver os rapazes do Colégio Dante Alighieri jogando futebol em um gramado da escola. Um dia, um "olheiro" varziano o levou para o time da Associação Atlética São Bento. E Francisco Rebolo Gonzales, de 1,60 metro, que já gostava de tintas e cores, virou jogador de futebol.

Rebolinho (ou Paco, redução espanhola para Francisco), como também era conhecido, foi contratado pelo Corinthians em 1922 e ajudou o clube a ser campeão da copa do Centenário da Independência. Mais tarde, nos anos 30, foi ele quem desenhou o símbolo que os dezenas de milhares de corintianos ostentavam no peito nas festanças do centenário do clube, comemorado mundo afora no último dia 1.º.

Rebolo (1902-1980) e o Corinthians (1910) são marcas de São Paulo. No livro Rebolo, 100 anos (Edusp, 2002), que conta a história desse genuíno artista, há cenas paulistanas retratadas pelos pincéis que, como as brochas, ele aprendeu a manejar desde criança pintando paredes.

Rebolo tinha alma caipira. "Êta júri navaia. Cortaro até o Vôrpi", resmungou certa vez contra julgamento da arte de Alfredo Volpi, lembra o livro. "Formiga", que Sérgio Milliet chamou de o homem dos meio-tons, deixou suas cores em igrejas, escolas, casas - e no Corinthians.

POST SCRIPTUM

Exposição de 50 anos do museu da Faap

Exposição de aniversário - Uma exposição, com abertura programada para o dia 14, marca os 50 anos da Museu de Artes Brasileiras da Faap (Rua Alagoas, 903, Higienópolis). Entrada gratuita. O visitante poderá curtir obras de artistas que ajudaram a consolidar o MAB, como Portinari, Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral.

Nota de correção: na entrevista da semana passada, publicada aqui na coluna, Sarah Feldman, da USP de São Carlos, que abordou a história da prostituição em São Paulo, foi equivocadamente identificada como historiadora. Sarah Feldman é urbanista.

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