Hipódromo de 1944 está abandonado

Travado por burocracia, restauro de conjunto arquitetônico tombado no Parque do Trote, na Vila Guilherme, foi prometido em 2006

DIEGO ZANCHETTA, TIAGO QUEIROZ, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2012 | 03h03

Palco de corridas de cavalo que atraíam, nos anos 1950, milhares de paulistanos à Vila Guilherme, na zona norte, parte do que sobrou da Sociedade Paulista do Trote está em ruínas. O conjunto foi tombado pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico (Conpresp) em 2004, mas desde então uma série de burocracias emperrou a recuperação dos imóveis de 1944. A obra foi prometida no início de 2006 pela Prefeitura.

Em 2005, o governo municipal comprou o terreno de 156 mil metros quadrados onde estão os casarões por R$ 80 milhões dos antigos membros da Sociedade Paulista do Trote. Após desapropriar o espaço e retirar cerca de 200 invasores das cocheiras do antigo hipódromo, a Secretaria Municipal do Verde anexou a área ao Parque da Vila Guilherme. A pista de corrida foi recuperada, assim como o antigo salão de festas, e o local foi reinaugurado com 200 mil m², rebatizado como Parque do Trote. Os casarões, no entanto, ainda estão isolados do público.

Na época da inauguração, a Prefeitura prometia investir na restauração das instalações do hipódromo e reabri-las para visitação. Um cartaz desse projeto ainda está colado em uma das paredes da antiga cocheira, agora em ruínas e sem telhado.

Também estão isolados os prédios das bilheterias e o edifício-lousa das apostas. Parte das arquibancadas rodeadas por mato alto compõe o cenário de abandono do conjunto. Alguns funcionários disseram ao Estado que evitam entrar nos imóveis, porque têm medo de desabamentos.

Patrimônio. "É triste, um exemplo de descaso com o pouco que sobrou do nosso patrimônio histórico", afirma o médico aposentado Jucy Guimarães, de 71 anos, morador da Vila Maria e usuário do parque. "Em qualquer outro lugar do mundo isso aqui estaria totalmente recuperado e seria um ponto alto do parque, não o local que está abandonado."

Guimarães diz ter assistido a corridas de cavalos em charretes no antigo hipódromo, na década de 1960. "Não era só corrida. Aqui aconteciam as grandes festas da elite brasileira. Só faltava recuperar os casarões para esse parque virar um exemplo."

Os imóveis históricos em ruínas contrastam com a excelente conservação da área verde e das outras dependências do parque. "O único casarão que recuperaram ficou maravilhoso, parece casa de fazenda mesmo. Custava ter reformado as cocheiras?", questiona a assistente social Alessandra Faccioli da Costa, de 42 anos.

Outra promessa de 2006 não cumprida foi a criação de cursos de equoterapia e de iniciação à equitação no local.

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