Higienópolis sofre com obra noturna em shopping

Vizinhos reclamam de operários trabalhando às 22h e caminhões fazendo entregas; estabelecimento afirma que segue a legislação

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2010 | 00h00

As obras de expansão do Shopping Higienópolis não param após o fechamento das lojas. Às 22h15 de uma terça-feira, um caminhão carregado de pedras e cimento tentava entrar no número 1.347 da Rua Dr. Albuquerque Lins, causando uma fila de congestionamento e muitas buzinas. Britadeiras funcionam sem parar na obra, à noite ou no domingo à tarde.

O barulho tem sido constante nos últimos quatro meses. A nutricionista Marília Polscy, de 34 anos, tem dificuldades para preservar o sono de seu bebê de 2 meses, no 10.º andar de um prédio na frente da obra. Ela, porém, não é a única que reclama dos transtornos causados pela ampliação do espaço.

Na área residencial mais nobre da região central, o shopping é considerado o principal ponto de encontro e de lazer. Mesmo quem gosta e frequenta o espaço, porém, está indignado com o barulho de britadeiras.

"Adoro ir ao cinema a pé, todo mundo do prédio concorda que o shopping é bom para o bairro. Mas existe o direito ao silêncio à noite. Essa obra não para. Depois das 20h é que começa a pior parte, quando eles (pedreiros) começam a bater estacas. Ninguém consegue assistir TV", se queixa Marília.

A nutricionista vive no bairro desde 1997, dois anos antes da inauguração do shopping. O empreendimento dobrou o preço do seu imóvel de 145 metros quadrados. Já com a nova expansão de 33 mil metros quadrados, o que representa um aumento em um terço da área atual, ela e outros donos de apartamentos na região temem perder a valorização obtida no início da década.

Os responsáveis pela obra também "reservaram" com fita e cavaletes metade de uma das faixas da Albuquerque Lins, entre a Avenida Higienópolis e a Rua Veiga Filho, em uma extensão de quase 150 metros. Esse espaço da via pública se tornou exclusivo para os veículos que entram no pátio ou ficam parados na esquina onde está um casarão histórico de 1937, também adquirido pelo shopping.

"Quando as lojas fecham, às 22h, os clientes não conseguem sair do estacionamento porque sempre há pelo menos três caminhões na esquina (da Avenida Higienópolis com a Albuquerque Lins) parados, esperando para entrar na obra", critica a aposentada Cecília de Mello Franco, de 64 anos. Ela diz ter participado de um abaixo-assinado em julho de 1995 a favor da construção do shopping. "Ele (shopping) só trouxe coisas boas para nós. Mas sempre foi um shopping de bairro residencial. Aqui não cabe nada igual ao Center Norte ou ao Bourbon."

Resposta. A assessoria do shopping informou que a obra "segue as exigências dos órgãos competentes" e que tem "tentado diminuir ao máximo os impactos que pode causar aos vizinhos e clientes". O Higienópolis atribui a movimentação de caminhões à noite à restrição a esses veículos durante o dia. E diz que as interdições nas vias são feitas em conjunto com a Prefeitura.

A Secretaria das Subprefeituras disse, por sua vez, que não há queixas sobre barulho no número oficial da obra. Há cinco reclamações para números diversos na Rua Albuquerque Lins, mas uma vistoria constatou que não há ruído acima do permitido.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.