Higienópolis: Federação israelita avalia medidas judiciais após ataques na web

Vice-presidente, porém, afirma que não vai processar Danilo Gentili, que oferece show à associação

Gabriel Pinheiro, Estadão.com.br

13 Maio 2011 | 18h34

SÃO PAULO - A Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) disse nesta sexta-feira, 13, que observa com "bastante preocupação" os ataques antissemitas desencadeados na internet com as mudanças do Metrô em Higienópolis. A associação pede aos usuários do Twitter que não repliquem nem respondam aos comentários, por entender que as ações ajudam na divulgação das ofensas. "Isso nos mostra que existe um antissemitismo enraizados em algumas pessoas", afirmou o vice-presidente da entidade, Ricardo Berkiensztat.

 

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Ele disse que a Fisesp está "monitorando as redes sociais" e avalia medidas judiciais para que os envolvidos nos ataques sejam punidos pela justiça, e as mensagens retiradas da internet. "Vamos seguir a legislação brasileira. Quando nos sentirmos atacados, vamos requerer uma ação da justiça, porque isso configura discriminação e racismo", acrescenta.

 

Na quinta-feira, o humorista Danilo Gentili envolveu-se em uma polêmica na rede ao fazer piada com os moradores de Higienópolis. Berkiensztat, porém, disse não ver Gentili como antissemita. "Ele tentou fazer uma piada, mas foi extremamente infeliz e irresponsável. Falar algo entre uma roda de amigos é uma coisa, mas com um milhão e meio de seguidores (no Twitter) é outra", acrescentou. "O Holocausto é um tema muito sensível para nós, mexe com emoções e passado."

 

Segundo o vice-presidente, a entidade não pensa em processá-lo. Em vez disso, quer se encontrar com o humorista. "Vamos tentar agendar um encontro com Gentili para mostrar o que o Holocausto significa para o povo judeu", disse.

 

Ao Estadão.com.br, o humorista afirmou que seu comentário "de forma alguma" foi antissemita. "Estou tão acostumado a esse ambiente de comédia que acabo o estendendo ao Twitter. Tudo o que eu falo é para dar alegria a alguém", comentou. Ele disse conhecer o Holocausto "dos livros de história", mas adiantou que aceita o encontro com a federação israelita. "E se a comunidade judaica quiser, também faço um show para eles", concluiu.

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