Higienópolis: bandidos amarram vítimas de arrastão com gravatas

Bando invadiu prédio à 0h40 e começou a entrar nos apartamentos às 4h, após usar drogas; 20 moradores viraram reféns

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2012 | 03h05

Pelo menos dez criminosos invadiram ontem cinco apartamentos de um condomínio na esquina da Rua Sergipe com a Avenida Angélica, em Higienópolis, na região central de São Paulo. Eles fizeram reféns cerca de 20 pessoas e fugiram levando joias, dinheiro, aparelhos eletrônicos e dois carros. Ninguém foi preso até as 23 horas de ontem.

Parte do grupo entrou no prédio por volta da 0h40. Eles passaram com Vectra GT pelo portão da garagem sem levantar suspeita. Os bandidos renderam o porteiro e passaram a interrogá-lo sobre chaves que estariam na portaria. Também tomaram uma cédula de R$ 50 do funcionário, que foi amarrado, para consumir cocaína. Nos apartamentos, tomaram também bebidas das vítimas.

O arrastão teve início, então, por volta das 4 horas. Eles levaram todas as vítimas para o quarto da filha de um dentista, no quinto andar. Os moradores ficaram de joelhos e foram amarrados com gravatas. "Estava muito quente e abafado, então pedimos para que eles pelo menos ligassem o ar condicionado", afirmou uma arquiteta de 45 anos.

A arquiteta disse também que teve medo por sua filha. "Já fomos vítimas de assalto dentro do carro, mas sempre falei para ela que dentro de casa era seguro. A nossa sensação agora é de impotência."

Além dos moradores, também foi feito refém o zelador do condomínio. O filho dele, uma criança de 7 anos, foi ameaçada pelos criminosos. Também foi rendido o porteiro do período da manhã, quando chegava para dar início ao expediente.

Os ladrões deixaram o prédio por volta das 7 horas. Um dos bandidos ficou para trás e foi resgatado pelos comparsas. Na fuga, eles levaram o Land Rover e o BMW de um empresário de 43 anos. Os carros foram encontrados de manhã, na Bela Vista, também na região central.

Câmeras. O caso foi encaminhado à 4.ª Delegacia do Patrimônio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). O delegado Mauro Fachini solicitou imagens do circuito interno de vigilância, ouviu testemunhas e vítimas, mas não tinha, até a noite de ontem, pistas que levassem aos bandidos.

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