Herdeiro de rede de restaurantes é preso por mandar matar pai

Antônio Fernando da Silva é acusado de outros seis assassinatos no Rio. Advogado e pai de santo estão entre as vítimas

Clarissa Thomé / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2010 | 00h00

Antônio Fernando da Silva, de 46 anos, sócio de uma rede de restaurantes no Rio, foi preso na manhã de ontem acusado de sete assassinatos, entre eles o do próprio pai, Plácido da Silva Nunes. A motivação da série de crimes foi financeira, segundo a polícia: além de herdar o primeiro restaurante aberto pelo pai, Silva recebeu o seguro de vida de R$ 2 milhões e previdência privada de R$ 8 milhões, que rendia R$ 36 mil mensais.

O primeiro assassinato foi em 2007. Plácido, de 75 anos, fundador da rede Rei do Bacalhau, foi encontrado enforcado em seu apartamento, na Ilha do Governador. Dinheiro e joias haviam sido roubados. O caso foi registrado como latrocínio (roubo seguido de morte) e a polícia não desconfiou do filho adotivo do empresário.

Mas, segundo a investigação da 16.ª Delegacia de Polícia, na Barra da Tijuca, Silva começou a ser chantageado pelo homem que havia contratado para matar seu pai. "Para se livrar do primeiro matador, contratou outro matador. E também mandou matar seu pai de santo, Robson Luís Fonseca Ferreira, para quem havia confessado os crimes", disse o delegado Rafael Willis.

Silva é acusado ainda de ter mandado matar um advogado - para quem falou sobre os assassinatos - um garçom e o gerente financeiro do restaurante, que teriam desconfiado de desfalques na empresa, e até mesmo um policial que investigava os crimes.

O gerente financeiro José Maurício de Almeida foi morto no início deste ano, num assalto simulado na Barra da Tijuca. Ao começar a investigar este crime, a equipe de Willis chegou aos outros assassinatos.

O empresário reagiu com surpresa ao ser preso, por volta das 6 horas. Também foi preso Márcio Pereira dos Santos, o Cachorro Louco, acusado de ser o último matador contratado. O Estado não conseguiu localizar o advogado do empresário.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.