Herchcovitch, Ellus e Maria Bonita, entre Rio e São Paulo

Estilistas são os únicos entre as 29 marcas da semana de moda paulistana que também desfilam para os cariocas

VALÉRIA FRANÇA , FLÁVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2012 | 03h05

Entre o eixo Rio-São Paulo, Alexandre Herchcovitch é o único estilista desta temporada de moda que vai entrar três vezes na passarela. No Fashion Rio, ele já mostrou sua coleção jeans, mais jovem. Ontem, na São Paulo Fashion Week, apresentou as peças femininas de sua primeira marca. Na terça-feira, será a vez das roupas e dos acessórios masculinos.

Das 29 marcas que participam da SPFW, apenas a Ellus, que desfila hoje, e a Maria Bonita, cujos looks serão apresentados na segunda-feira, também estavam no calendário do Rio com as marcas 2nd Floor e Maria Bonita Extra, respectivamente.

"Lancei a segunda linha Herchcovitch no Rio, primeiro a pedido do Paulo Borges (organizador dos dois eventos) e, segundo, porque seria impossível fazer três desfiles em São Paulo em apenas uma semana", conta Herchcovitch. A marca jovem do estilista foi criada para contemplar um público mais jovem e descontraído. "Era quase impossível por questões comerciais, já que havia muitos clientes que queriam consumir nossas criações, mas não queria uma peça prêt-à-porter ou algo mais conceitual."

No Rio, por questões geográficas e de clima, as pessoas se vestem de maneira mais casual e com mais leveza. "E é isso que propomos com a segunda marca. Vestidos, maiôs, um quê de saída de praia nos vestidos de crochê, que também podem ser usados com combinação, jeans bastante versáteis." Herchcovitch também ajudou a alavancar o evento que Borges começava a reestruturar.

A carioca Maria Bonita voltou para o calendário paulistano em 2006. "A semana de São Paulo estava muito forte e não tinha como ficar de fora, mas continuamos com a Maria Bonita Extra no Rio", conta Alexandre Aquino, sócio-diretor do grupo. O empresário aproveitou para recuperar uma história que a marca tinha com a cidade e aumentar a projeção da marca. "Nossa loja foi uma das primeiras de grife da Rua Oscar Freire. Abrimos no antigo galpão onde funcionava a Casa Santa Luzia (que hoje funciona na Alameda Lorena), em 1981."

Na última década, a moda carioca cresceu e - a exemplo do que ocorria nos anos 1970 - voltou a ter influência no mundo das tendências. Várias marcas cariocas migraram para os shopping centers paulistanos e viraram "queridinhas" de muitas paulistanas. É o caso da Farm, grife que por enquanto só desfila no Fashion Rio.

"O Rio tem o seu espaço e o mercado melhorou muito", avalia Aquino. "Agora, com a história da Copa, o Rio virou a bola da vez. Mas é claro que São Paulo continua sendo o grande polo produtor. E é por isso que voltamos para cá."

A diretora criativa da Ellus, no início, achou que apresentar a 2nd Floor no Rio - antes o desfile acontecia na Bienal do Ibirapuera - seria complicado estrategicamente. "Temos duas equipes de estilo, uma para cada marca, então não foi assim tão confuso. O trabalho é o mesmo. Muda apenas o palco. E o Rio é muito bonito. Acaba inspirando a criação."

No showroom e na Bienal. Pedro Lourenço apresentou ontem sua coleção no showroom de sua marca, não na Bienal, como as demais grifes. A esperada coleção, já apresentada em Nova York e colocada no site especializado Style.com, mostrou um inverno muito mais rigoroso do que o paulistano está acostumado a ver na passarela. Casacos longos de pelo e de feltro, bem quentes. O nylon também surgiu como detalhe nas roupas, mas resinado, dando a impressão de um plástico.

Em seguida, já no Ibirapuera, foi a vez do estreante Rodrigo Rosner. Na sequência, desfilaram Alexandre Herchcovitch, Iódice e Triton.

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