'Herança' de Kassab e Marta causa bate-boca

O clima de animosidade entre petistas e aliados do prefeito Gilberto Kassab (PSD) na Câmara Municipal aumentou ontem com a presença do secretário de Finanças, Marcos Cruz, no plenário. Cruz mostrou dados da execução orçamentária de 2012 e revoltou kassabistas ao dizer que o ex-prefeito deixou um caixa de R$ 5,6 bilhões, mas com apenas R$ 40 milhões disponíveis para serem gastos.

O Estado de S.Paulo

01 Março 2013 | 02h02

"Nossa, eu vejo que vocês encontraram uma situação bem confortável, com R$ 40 milhões. Nós assumimos em 2005 com R$ 6 mil em caixa", disparou o vereador Andrea Matarazzo (PSDB), ex-secretário de Coordenação das Subprefeituras na gestão José Serra-Kassab, entre 2005 e 2009. "O senhor tem a mania de vir a este plenário para dizer inverdades, caro vereador Matarazzo. A cidade está andando, temos apenas 60 dias de Prefeitura", rebateu Arselino Tatto (PT), líder de governo.

Cruz também foi questionado sobre o remanejamento de recursos do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), transferidos pelo Estado, para fazer o reembolso da taxa de inspeção veicular (R$ 47,44), como prevê projeto do prefeito Fernando Haddad (PT) enviado ao Legislativo na semana passada. "Ficou claro aqui que os recursos do IPVA que deveriam ser aplicados em saúde e educação vão ser utilizados para patrocinar a promessa de campanha do PT", atacou Floriano Pesaro, líder do PSDB. O governo calcula que terá de remanejar R$ 150 milhões de recursos do IPVA para fazer a devolução da tarifa em 2013.

A presença de Cruz no Legislativo foi marcada pelos primeiros embates acirrados entre oposição e governo. Logo após a apresentação do secretário, o vereador Coronel Telhada (PSDB) colocou um vídeo no plenário com trechos da campanha eleitoral de Haddad na televisão - no vídeo, o prefeito prometia acabar com a taxa de inspeção veicular. "Eu não fiz promessa na campanha porque sei que não posso cumprir. O prefeito fez promessa e nós queremos aqui que ele cumpra o que foi dito", argumentou o coronel.

"O que foi mostrado de importante aqui na apresentação do secretário é que esse caixa de R$ 5,6 bilhões não existia, só havia na verdade R$ 40 milhões para serem investidos", disse Paulo Fiorilo (PT). / D.Z.

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