Helicópteros da Prefeitura levam ‘caronas’ para passear por São Paulo

Neste ano, de janeiro até o último dia 22, foram em média 107 voos por mês, quase o dobro de 2010

Paula Bonelli e Renato Machado , O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2011 | 15h52

SÃO PAULO - Os helicópteros estão pousando e decolando do terraço do Edifício Matarazzo, sede da Prefeitura de São Paulo, em ritmo jamais visto. Neste ano, de janeiro até o último dia 22, foram em média 107 voos por mês, quase o dobro de 2010. O objetivo oficial é monitorar os 1,5 mil quilômetros quadrados da cidade. Na prática, o que também se vê é uma farra dos voos - os passeios chegam a virar presente de aniversário para servidores municipais.

Em uma análise dos ocupantes desses voos, a reportagem do Estado encontrou pelo menos 25 pessoas que acompanharam técnicos da Prefeitura sem nada ter a ver com o propósito das viagens. O serviço de monitoramento por helicópteros, que já custou R$ 1,5 milhão à administração municipal em 2011, começou em fevereiro do ano passado com o objetivo de fiscalizar obras, serviços, parques, áreas de risco e invasões de terreno.

Os "caronas" dos voos oficiais são faxineiros, motoristas, técnico de informática, de recursos humanos, auxiliar de compras, secretária e estagiários. Como quase todas as viagens ocorrem em horário comercial, há indício de que eles abandonaram as atividades nesses dias.

"Os voos precisam ter um responsável, que pode ser o secretário, subprefeito, o chefe de gabinete ou um coordenador", diz Ronaldo Camargo, secretário de Coordenação das Subprefeituras, pasta que mais usa o serviço. Ele acrescenta que os demais ocupantes devem ser técnicos ligados aos objetivos dos voos, como das áreas de obras e desenvolvimento urbano, integrantes da Defesa Civil e da Guarda Civil Metropolitana.

Na Subprefeitura da Vila Prudente, duas pessoas confirmaram que o sobrevoo com os técnicos já virou presente de aniversário para servidor. O ajudante-geral Boaventura Alves de Mello, mais conhecido como Bahia, foi agraciado. A rotina de retirar o lixo, varrer o pátio e cuidar do jardim na subprefeitura foi quebrada no voo de 29 de junho.

"Fazia aniversário naquele dia. Então, foi um presente que me deram", disse Mello, sem ter noção da irregularidade. Pela mesma subprefeitura também voaram um auxiliar de compras, dois funcionários do RH e um motorista. O subprefeito Roberto Alves dos Santos nega a prática. "Se fosse dar voo para cada aniversariante, precisaria de uma frota de helicópteros."

Motorista. Um motorista da Subprefeitura de Pirituba também pegou a carona de helicóptero. José Messias Pereira disse que foi convidado a voar pelo chefe de gabinete. "Primeiro fiquei com medo, mas depois foi legal. Achei muito gostoso", diz, revelando uma promessa não cumprida. "Disseram que iam me colocar de novo, mas não colocaram." Na Subprefeitura da Vila Maria, uma encarregada de serviços gerais também ganhou a oportunidade de viajar.

 

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