Helicóptero que caiu em GO passou por revisão ilegal

Aparelho levava policias e principal acusado de participar de chacina que matou sete em sítio em Goiás

RUBENS SANTOS, ESPECIAL PARA O ESTADO, GOIÂNIA, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2012 | 03h04

Uma empresa descredenciada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) fez a manutenção do helicóptero Koala AJW da Polícia Civil de Goiás que caiu na terça-feira - no acidente, morreram dois peritos, cinco delegados e o acusado de comandar a chacina de sete pessoas em uma fazenda em Doverlândia (GO). A Fênix Aircraft já havia perdido o registro na Anac quando a aeronave de prefixo PP-CGO foi entregue para a revisão de 300 horas de voo, na semana passada. O equipamento voltou a operar no dia do acidente.

O descredenciamento foi confirmado ontem pela Anac. O Grupo Aereopolicial (Graer), que controla o histórico das aeronaves, afirmou, em nota oficial, que a manutenção foi feita entre os dias 4 e 7 deste mês.

A empresa com sede no Aeroclube de Goiânia se recusou a comentar a medida da Anac. O advogado da Fênix, Georges Moura Ferreira, disse que será distribuído amanhã um boletim sobre a manutenção do helicóptero.

O Estado apurou que teria sido o piloto do helicóptero, Osvalmir Carrasco Melati Júnior, quem retirou a aeronave do galpão. Porém, teria levado o aparelho exercendo seu poder de polícia, por ser delegado, mas sem autorização da Fênix. A empresa disse que equipamentos como o Koala têm manutenção a cada 50h de voo e não a cada 300h.

Investigações. A Polícia Técnico-Científica de Goiás realiza trabalho de rescaldo na área do acidente com o helicóptero. A meta é tentar resgatar fragmentos e documentos sobre a chacina de Doverlândia. Entre os oito mortos estava o perito Fabiano Silva, que detinha grande parte dos resultados da perícia em Doverlândia - e que não haviam sido repassados para a polícia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.