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Helicóptero que caiu com filho de Alckmin tinha componentes desconectados

Relatório divulgado pela FAB mostra que danos causados nas pás e nos motores foram consequências, e não causas do acidente

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

02 Junho 2015 | 18h09

Atualizada às 22h54

SÃO PAULO - Duas peças fundamentais para o piloto controlar a aeronave estavam desconectadas durante voo do helicóptero que caiu em Carapicuíba, na Grande São Paulo, no dia 2 de abril e que resultou na morte de cinco pessoas, entre elas Thomaz Alckmin, filho mais novo do governador de São Paulo.

Relatório divulgado nesta terça-feira, 2, pela Força Aérea Brasileira (FAB) mostra que os “controles flexíveis” e as “alavancas” estavam desconectados já antes da decolagem. “São componentes mecânicos que fazem a conexão do conjunto do rotor com as pás. Essa conexão é que dá o movimento para o helicóptero”, afirma o especialista em segurança de voo Carlos Camacho. O rotor é o que dá a sustentação necessária para que a aeronave permaneça voando.

Segundo Camacho, tudo indica que tenha sido um problema na manutenção. “Quando eles (os tripulantes) chegaram no local, tiveram de esperar os mecânicos instalarem as pás do rotor principal. Por dedução, é possível que o problemas nessas peças tenha sido por conta da manutenção.” Sem elas, o piloto perde o controle do rotor e não consegue comandar a aeronave.

Rodrigo Duarte, conselheiro da Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero (Abraphe), afirma, no entanto, que seria praticamente impossível a aeronave ter levantado voo sem essas duas peças - descritas como fundamentais pela FAB. “É uma condição realmente muito complexa de voo. Você tem tudo bem montado e harmonicamente balanceado e, se tira qualquer um dos componentes que fazem parte desse conjunto, o helicóptero simplesmente perde o equilíbrio. É como um carro com a barra de direção quebrada”, explica.

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que conduziu as investigações, afirmou no relatório da FAB que o exame dos destroços demonstra que os danos encontrados nos motores e pás foram consequências, e não causas do acidente. O voo do dia 2 de abril foi o primeiro dessa aeronave após quase dois meses de intervenções previstas de manutenção.

‘Estranheza’. A empresa de manutenção Helipark informou, em nota, que “causa estranheza” a FAB fazer afirmações sobre o acidente antes do fim da investigação. Segundo a empresa, se os controles flexíveis e alavancas são fundamentais, “como afirmar que o helicóptero decolou e voou mesmo com os componentes desconectados?”. A Helipark disse que o reparo nas pás seria de responsabilidade da Helibras (fabricante) e que, pelas regras de voo, Thomaz Alckmin não poderia estar no helicóptero.

A Helibras informou que é “a maior interessada no esclarecimento das causas do acidente”, mas, “por questões éticas e legais”, não se manifestaria porque a investigação não é conclusiva. A empresa dona do helicóptero, Seripatri, disse que não se manifestaria.

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