Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Helicóptero pousa no meio de avenida

Piloto de aparelho usado pela Rádio Eldorado fez manobra de emergência em plena hora do rush na Tiradentes; ninguém ficou ferido

Bruno Tavares, Eduardo Reina e Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2010 | 00h00

A perícia do piloto André Soares evitou ontem uma catástrofe. Por volta das 18h10, ele e o repórter da Rádio Eldorado Flávio Perez sobrevoavam a região central de São Paulo para mostrar o trânsito na cidade, como fazem todas as tardes, quando ouviram um barulho estranho no motor do helicóptero Robinson 22. Daí em diante foram apenas 20 segundos até o pouso de emergência em plena Avenida Tiradentes, na hora do rush.

Após passar entre cabos de alta tensão, postes de 15 metros de altura e árvores, Soares conseguiu parar a aeronave a cinco metros de um ponto de ônibus cheio de pessoas e descer exatamente quando não havia nenhum veículo na pista. Ninguém ficou ferido.

A primeira reação do piloto da empresa Helifly ao ouvir o barulho no motor foi tentar voltar ao Campo de Marte, de onde havia saído 35 minutos antes. A aeronave sobrevoava então o Corredor Norte-Sul em direção à Avenida 23 de Maio. Mas não deu tempo. Após bater em uma árvore no canteiro das pistas local e expressa da Avenida Tiradentes, na altura do número 500, o piloto fez o pouso forçado bem na frente da Faculdade de Tecnologia (Fatec). O impacto no solo fez com que os estribos do helicóptero abrissem e a batida na árvore avariou parte da fuselagem do lado esquerdo e quebrou a proteção de plástico de uma das janelas. O vidro frontal do lado direito também ficou parcialmente solto com a batida.

Para integrantes da Aeronáutica, o piloto teve grande perspicácia "para jogar o helicóptero no chão" sem atingir os carros que passavam pela avenida e o ponto de ônibus que fica a cinco metros do local do pouso forçado.

"Eu estava com a cabeça baixa e ouvi um barulho diferente de motor de helicóptero. Quando levantei, vi folhas de uma árvore voando e ele ali no chão", contou Antonio Carlos Cardoso, dono de uma banca de jornal na frente da Fatec. O mesmo barulho foi ouvido por Aguinaldo Inácio, porteiro da faculdade. "Ele estava voando bem baixo. O barulho parecia de tiros", comparou.

Além da Eldorado, a Helifly presta serviços a outras rádios, como CBN e Bandeirantes. Chefe dos pilotos da empresa, Sérgio Matsui afirmou que a manutenção das aeronaves é feita periodica e preventivamente a cada 25 horas de voo, inclusive com a troca de peças indicadas pelo fabricante. Segundo site da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o aparelho estava em dia com autorizações de voo.

O acidente levou à interdição de parte da Avenida Tiradentes, da Rua dos Bandeirantes à Praça da Luz, na pista local sentido bairro. E, às 18h30, do Campo de Marte. Bombeiros que trabalham no aeroporto foram encaminhados ao local. A investigação sobre o acidente será conduzida pelo 4.º Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa 4).

A Rádio Eldorado é pioneira na cobertura do trânsito com helicópteros. Faz isso desde a década de 1980.

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