Helicóptero de Alckmin fica sem comprador

Objetivo da venda é corte de gastos; aeronave custa cerca de R$ 2 milhões

Fábio Leite, O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2013 | 23h26

Anunciada logo após os protestos de junho pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) como uma das medidas para compensar o recuo no aumento das tarifas de trem e metrô, a venda do helicóptero usado pelo tucano fracassou. Nenhuma proposta pela aeronave Sikorsky, modelo S-76 A, foi apresentada ontem, dia 16 de outubro, na abertura dos envelopes da concorrência internacional feita pela Casa Militar. O valor mínimo do helicóptero ano 1983 fixado pelo governo era de US$ 1,02 milhão, ou R$ 2,21 milhões.

Segundo um sargento da PM que acompanhou a licitação, apesar de velha, a aeronave está "num estado excepcional" porque passou por reforma recentemente. O helicóptero tem capacidade para seis passageiros e dois tripulantes. Só o contrato de manutenção era de R$ 34 mil por mês, sem considerar gastos com combustível.

"Imaginávamos que para fretamento seria difícil vender mesmo por causa do ano de fabricação. Nossa esperança era de que a Petrobrás quisesse comprá-lo para uso operacional nas plataformas de petróleo, mas não houve interesse", disse o PM.

Segundo o governo, a Casa Militar já está fazendo alterações no edital para relançar a concorrência da aeronave o "mais rápido possível". Ainda não há prazo para a nova licitação. Ainda de acordo com o Estado, a aposentadoria da aeronave trará economia anual de R$ 4 milhões.

A venda do helicóptero não foi a primeira medida do pacote de redução de gastos a ficar no papel. Em junho, Alckmin também havia dito que acabaria com a Secretaria de Desenvolvimento Metropolitano, criada por ele em 2011, início do mandato. Mas o tucano já reservou R$ 168,1 milhões de orçamento para a pasta em 2014, verba maior do que a deste ano: R$ 144,7 milhões. Segundo o governo, é uma reserva obrigatória até que o projeto de extinção da secretaria seja aprovado na Assembleia Legislativa. A proposta ainda não passou pelas comissões.

Ao todo, Alckmin calcula economizar até R$ 355 milhões entre 2013 e 2014, último ano de mandato, com os cortes de gastos anunciados no eco dos protestos pela redução das tarifas em junho. O custo anual da medida foi estimado pelo governo estadual em R$ 220 milhões.

Torneira. Em nota, o governo informou que, apesar dos dois casos, "já adotou medidas efetivas que permitiram a economia de R$ 113,4 milhões aos cofres públicos desde 28 de junho", dia do anúncio feito por Alckmin. Como exemplo, cita o leilão de 2.635 veículos da frota oficial do Estado pelo valor total de R$ 12,2 milhões.

Ainda segundo a gestão tucana, "já estão asseguradas outras medidas que resultarão em economia de, no mínimo, mais R$ 27,7 milhões até o fim do ano, atingindo redução de R$ 131,1 milhões, acima da meta estabelecida de R$ 129 milhões.

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