Helicóptero cai sobre casas: piloto morre e 5 se ferem

Acidente com aparelho a serviço da Secretaria do Verde deixou moradores na zona norte da capital em pânico; causa será apurada

BRUNO RIBEIRO, NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

22 Janeiro 2013 | 02h03

Um helicóptero a serviço da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente caiu sobre cinco casas da favela do Jardim Rincão, no Jaraguá, zona norte de São Paulo, por volta das 12h20 de ontem. O piloto da aeronave, Marcelo Stella de Melo Ribeiro, de 29 anos, morreu na queda. As causas do acidente serão investigadas pelo Serviço Regional de Proteção ao Voo (SRPV-4).

Outros três passageiros, todos funcionários da Prefeitura, ficaram feridos. Fabiana Bispo Barbosa, de 31 anos, Ramiro Levy, de 45, e Idevanir Souza, de 28, estavam com quadro de saúde estável. Além deles, duas moradoras da favela foram socorridas. Uma teve ferimentos leves após fugir do local do acidente e outra estava em estado de choque por ter visto a queda.

O helicóptero era um Bell 206 de prefixo PR-JBN, pertencente à empresa de táxi aéreo Helimarte, que presta serviço à Prefeitura com frequência. A aeronave decolou às 12h01 do Aeroporto Campo de Marte, na zona norte, e foi buscar os funcionários na sede da Prefeitura para um sobrevoo de "fiscalização, acompanhamento de áreas e vistoria de parques" nas regiões de Perus, Taipas, Brasilândia, Bananal, Bispo, Tremembé, Santa Maria, Engordador, Barrocada, Pinheirinho d'Água e Trote.

A duração do voo seria de 2 horas, segundo a Prefeitura, mas o voo durou 20 minutos. Funcionário da Helimarte, o piloto Marcelo Stella "tinha larga experiência", era solteiro e não tinha filhos. Segundo a empresa, esse é o primeiro acidente em 14 anos. O helicóptero estava com as licenças e manutenções em dia, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Susto. A queda causou pânico entre os moradores. Segundo testemunhas, depois de atingir as casas, as hélices do helicóptero continuaram girando, puxando a fiação elétrica dos postes e causando faíscas. Também houve relatos de que o combustível do helicóptero começou a vazar.

O medo de uma explosão mobilizou parte dos vizinhos, que, aos gritos, organizaram os primeiros socorros, enquanto, outra parte dos moradores correu para tentar resgatar os feridos presos nas ferragens. Os bombeiros chegaram 20 minutos após a queda, segundo testemunhas.

"A gente pegou mangueiras e começou a jogar água no tanque do motor. Então, a gente retirou a moça do helicóptero, que estava bastante machucada. Nisso, alguém gritou que tinha uma criança sozinha em uma das casas e ela estava presa. Demos vários pontapés na porta e conseguimos salvá-la", disse o operador de prensa Zenilton Marinho dos Santos, de 40 anos, morador da favela.

Emergência. Testemunhas disseram ter tido a impressão de que o piloto tentava fazer um pouso de emergência no Parque Linear do Fogo, ao lado da favela. "O helicóptero balançou de um lado para outro, tentando ficar em cima da praça (do parque), mas de repente inclinou e caiu de vez", disse a dona de casa Maria Florêncio, de 54 anos, que mora na frente do parque.

A Prefeitura determinou a interdição de cinco imóveis da favela. O comandante da Defesa Civil, Jair Paca de Lima, disse que fará uma nova avaliação para decidir quando as casas serão liberadas.

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