Marcio Fernandes/Estadão
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Haitianos terão curso de Português e de especialização, afirma ministro

Manoel Dias, titular do Ministério do Trabalho e Emprego, informou que parceria entre três pastas firmada na segunda vai possibilitar cursos gratuitos de português e da Universidade do Trabalhador

Bernardo Caram, AgênciaEstado

07 Maio 2014 | 11h16

Atualizado às 11h58 - Brasília - O ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, afirmou na manhã desta quarta-feira, 7, que os haitianos que ingressarem no Brasil terão direito a cursos de língua portuguesa e de especialização para se fixar no País.

O ministro informou que foi definida nessa segunda-feira uma parceria entre os ministérios do Trabalho e Emprego (MTE), da Educação e do Desenvolvimento Social para que os imigrantes tenham acesso gratuito a um curso de Português. A ação tem o objetivo de que eles estejam habilitados a participar de outros programas de treinamento oferecidos pelo Governo.

De acordo com Dias, o País já recebeu cerca de 20 mil haitianos. Os cursos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) estarão disponíveis para todos. O ministro disse ainda que também estarão liberadas vagas na Universidade do Trabalhador, que deve ser lançada até o mês de julho com foco no ensino online.

Manoel Dias participa neste momento de uma audiência pública na Câmara dos Deputados promovida pela Comissão de Seguridade Social e Família em conjunto com a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público.

Alojamento. Na terça, a Prefeitura de São Paulo anunciou que disponibilizaria um novo abrigo para os cerca de 1000 imigrantes haitianos que chegaram à cidade nos três primeiros emses do ano. Com capacidade para 120 pessoas, o local estava previsto para começar a acolher haitianos nesta semana, mas, segundo a Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania ainda faltam ajustes a serem feitos. O local funcionará como reforço para a Igreja Nossa Senhora da Paz, na Rua do Glicério, no centro da capital paulista, que tem acolhido os haitianos desde o fechamento do abrigo em Brasileia (AC), no início de abril.

O prefeito Fernando Haddad (PT) disse na terça que a capital não terá problemas no acolhimento, mas que providências relacionadas à documentação dos haitianos precisam ser tomadas. "Nosso problema não é acolher, o problema é a organização prévia para que eles cheguem com documentação, Carteira de Trabalho. Muitos são roubados antes de chegar ao Brasil, entram no País sem documentação. A finalidade é garantir que eles saiam do Acre já com a Carteira de Trabalho ou que haja nem que seja um posto avançado da embaixada, que possa providenciar documentação." Para melhorar o acolhimento, estão sendo organizadas parcerias com o governo federal e com a Embaixada do Haiti no Brasil.

Segundo o prefeito, os haitianos têm conseguido contratação imediata no mercado de trabalho paulistano - 400 dos que chegaram à cidade já estão empregados. "Como a economia continua aquecida, as empresas estão contratando", destacou. "No ano passado, a cidade de São Paulo recebeu 2,6 mil haitianos. Então, não é novidade receber migrantes. A novidade foi o fluxo intensificado nas últimas semanas", acrescentou. De acordo com a Missão Paz, cerca de mil haitianos chegaram a São Paulo nos três primeiros meses de 2014.

Haddad disse que será feito um acordo com o governo acreano para evitar chegadas inesperadas de haitianos à capital paulista. "É tudo uma questão de organização e planejamento. O governador do Acre está em contato comigo para estabelecer um trabalho em comum para que não haja surpresas de parte a parte", explicou. "As pessoas não ficam em São Paulo, daqui elas partem para outras cidades."

 

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