Haitianos recebem colchões e marmitas em abrigo de São Paulo

Pastoral do Migrante diz que alimentação para refugiados está garantida por alguns dias, mas ainda guarda solução para falta de documentos de trabalho

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

25 Abril 2014 | 17h25

SÃO PAULO - Depois de duas semanas mal dormidas no chão de um salão da Pastoral do Migrante, no Glicério, região central de São Paulo, os imigrantes haitianos vindos do Acre e que permanecem sob tutela da igreja receberam nesta sexta-feira, 25, colchões para deixarem de dormir no chão duro. A Prefeitura começou também a fornecer marmitas para os refugiados. Até esta quinta-feira, eles estavam fazendo apenas uma refeição por dia. Agora, de acordo com o padre Paolo Parise, está garantida a alimentação com café da manhã, almoço e jantar.

Nesta sexta, também começou um mutirão, liderado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, para regularizar a situação legal dos refugiados. A maior parte dele chegou do Acre já com Cadastro de Pessoa Física (CPF) e com a permanência no Brasil regularizada. Mas a falta da carteira de trabalho foi o principal entrave burocrático. Sem o documento, empresas que chegaram a oferecer emprego para os refugiados não puderam fazer as contratações deles.

"O que precisamos, agora, é ter certeza de que o mutirão não será feito só hoje (sexta-feira). Ainda há muitos que estão sem documento. O processo precisa durar mais dias", disse o padre. Na noite desta quinta, o superintendente do ministério, Luiz Antônio Medeiros, havia prometido que a situação de todos os refugiados estaria regularizada até a próxima segunda-feira, 28.

Bate boca. Continua a briga política ao redor dos refugiados, envolvendo os governos do Acre, de Tião Viana (PT), e de São Paulo, de Geraldo Alckmin (PSDB), e que teve na secretária de Justiça e Defesa da Cidadania, Eloisa de Souza Arruda, a principal interlocutora sobre o tema.

Na manhã desta sexta, em entrevista à Radio Estadão, Viana afirmou que denunciaria Eloisa por tentar promover "preconceito e tentativa de higienização" contra os haitianos. Foi uma resposta à secretária, que afirmou estudar a possibilidade de levar a questão do envio dos imigrantes do Acre para São Paulo à Organização dos Estados Americanos (OEA) por "violação da dignidade" dos haitianos.

Eloísa participa, na tarde desta sexta, de uma reunião do governo e de entidade de defesa dos Direitos Humanos para debater o caso e a proposta da denúncia -- já criticada por especialistas em direito internacional, uma vez que um Estado não pode denunciar outro à OEA, por ambos fazerem parte do governo brasileiro.

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